04/08/2020 às 08h50min - Atualizada em 04/08/2020 às 08h50min

UM NOME ESQUECIDO

ANTÔNIO PEREIRA
Relendo velhas crônicas do Lycídio Paes encontrei uma com o nome que estou usando para esta. O velho Lycídio queixava-se de que José Avelino, consagrado mestre, não tivesse sido lembrando até aquela data, começo dos anos 70 do século passado, para uma rua, uma praça, uma escola. E lá se vão mais quase cinquenta e o Avelino continua no limbo. Não era daqui. Era de Uberaba. Veio pra cá moço, montou colégio e se enfiou pela Imprensa como articulista bravo. Escrevia para “O Progresso”, jornal do Bernardo Cupertino. Escreveu um livro de crônicas, “Teia de Penélope”, e um romance, “João Barriga”. Entrou também na política e foi vereador. Sua escola chamava-se Colégio Mineiro.

Ele e outros vereadores “cocão” organizaram a festa de inauguração da energia elétrica, em 1909.

Entre os intelectuais que frequentavam os balcões da Livraria Kosmos, para suas tertúlias vespertinas, lá estava o inquieto José Avelino. Jornalista brigão.

Em 1907, criou o Colégio Mineiro, que ficava na rua Guarany (hoje, Pedro Bernardes). Anos mais tarde, esse colégio ocupou o prédio construído pela Sociedade Progresso de Uberabinha para abrigar uma escola de boa qualidade. Já estava lá o Gymnasio Mineiro, do Antônio Luiz da Silveira, que o vendeu ao Avelino. Avelino levou seu colégio para lá, mas manteve o nome da escola que saiu. Esse prédio, posteriormente, abrigou o Colégio Estadual, o conhecido “Museu”. Muita gente boa passou por suas classes.
Aqui se casou e formou família.

Orador entusiasmado, participou com seu verbo inflamado de todos os acontecimentos históricos municipais enquanto viveu nesta cidade.

Mudou-se para Araguari, e lá foi o redator do jornal O Triângulo, mais tarde adquirido por Renato de Feitas e transferido para Uberlândia para ser o porta voz do PSD. Como jornalista, foi agredido e assassinado naquela cidade por três homens dos quais dois eram Antônio Nunes de Carvalho e seu filho. Lycídio Paes conhecia-os e estranhou a ocorrência porque além de amigo de velha data do Avelino, Carvalho era homem incapaz de tal violência. Apesar da oposição política, eram pessoas que se davam bem e, algumas vezes, trocaram gentilezas.

Foi o fim do educador, jornalista.

José Avelino era irmão do simpático empresário Ciro Avelino Franco, dono da famosa loja A Goyana, que ficava na avenida Afonso Pena.

Homem risonho que cumprimentava todo mundo na rua, embora não conhecesse, um dia procurei-o para saber alguma coisa sobre seu irmão assassinado. Além de jornalista, José Avelino tinha publicado livros e eu queria conhecer esse aspecto de sua vida.

O Ciro fechou a cara tão subitamente que me assustou.

- Não sei nada, não sei nada.

E se afastou sem dizer nada.




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