01/08/2020 às 17h11min - Atualizada em 01/08/2020 às 17h11min

Como ser você mesmo(a)

KELLY BASTOS (DUDI)
Bom dia!
 
Seja você mesmo (a). Talvez essa seja a frase mais utilizada na história dos conselhos e pode parecer uma sugestão extremamente vaga. O que as pessoas realmente querem dizer quando falam isso? E é realmente tão fácil quanto parece?

Segundo a nossa consultora e colaboradora Eliana Alves Pereira, psicóloga, existem alguns passos que podemos  incluir em nossa rotina que ajudam muito a viver conforme nós mesmos (as).

Descobrindo quem você é: Encontre-se e defina-se nos seus termos. Oscar Wilde uma vez disse, com sua sagacidade habitual: Seja você mesmo, todos os outros postos estão ocupados. Por mais engraçado que pareça, isso é um resumo básico da verdade. No entanto, você não pode ser você mesmo se não conhecer, entender e se aceitar. O primeiro objetivo deve ser descobrir como fazer isso.

Encontre tempo para aprender o que valoriza e para analisar o que compõe a essência de quem você é. Como parte disso, contemple a vida e suas escolhas. Tente pensar no que você gostaria ou não de fazer e aja de acordo. Fazer descobertas através do método da tentativa e erro ajuda mais do que você poderia imaginar.

Você pode até fazer testes de personalidade, mas tenha o cuidado de só absorver o que quiser para não deixar que esses testes o definam. Em vez disso, crie uma definição baseada em seus próprios termos e com a qual você se sinta absolutamente confortável. Você poderá sentir-se envergonhado no começo, mas com o tempo, se estiver rodeado do tipo certo de pessoas, elas o aceitarão por quem você é.

Imagem intitulada: Ao descobrir seus valores, não se surpreenda se alguns deles parecerem conflituosos. Este é um resultado natural da adoção de valores provenientes de fontes diferentes, incluindo a cultura, a religião, mentores, pessoas inspiradoras, fontes educacionais, etc. O que importa é continuar trabalhando através desses conflitos para descobrir quais valores são mais importantes para você.

Só porque os valores parecem conflituosos não significa que você precise abandoná-los. Considere tudo como parte de uma personalidade dinâmica. Você não pode ser rotulado ou colocado em qualquer caixa. Você tem valores para todos os diferentes aspectos da vida, portanto é natural que eles sejam diferentes.

Evite remoer o passado e permita-se crescer. Uma das abordagens menos saudáveis para ser você mesmo é decidir que quem você é se define por um momento ou período de tempo e passar o resto da vida tentando ser essa pessoa do passado, em vez de alguém que ainda seja você, mas que cresça com o passar de cada década e estação. Permita-se espaço para crescer, para melhorar e para se tornar mais sábio.

Permita-se perdoar os erros e comportamentos passados pelos quais você não tenha orgulho. Trabalhe para aceitar os erros e escolhas que fez, já que eles não podem ser alterados. Você teve suas razões e a decisão fez sentido na época, portanto em vez de remoer erros passados, permita-se aprender as lições da vida e continuar crescendo.

Observe as pessoas que orgulhosamente declaram não ser diferentes do que eram quando completaram 16, 26 ou 36 anos. Elas parecem flexíveis, tranquilas e felizes? Muitas vezes, elas não são porque estão muito ocupadas insistindo que nada mudou, portanto são incapazes de aceitar novas ideias, aprender com os outros ou crescer. O crescimento em cada nova idade e estágio da vida é uma parte essencial de ser sincero consigo mesmo e ser emocionalmente saudável.

Nunca deixe de dar atenção aos seus pontos fortes. Com o tempo, eles poderão mudar, juntamente com a sua definição de si mesmo, mas nunca deixe de focar neles. Provavelmente, eles superam seus defeitos e são a principal razão para que você não se compare com os outros.

As comparações geram ressentimento. Uma pessoa cheia de ressentimento não consegue se concentrar no "seja você mesmo" porque está muito ocupada desejando ser outra pessoa.

As comparações o levam a criticar os outros. Uma vida cheia de críticas direcionadas aos outros nasce da baixa autoestima e da necessidade de tirar as pessoas do pedestal em que você mesmo as colocou. Fazê-lo é tanto uma forma de perder amigos e respeito, como também de nunca ser você mesmo (já que está sofrendo com a inveja e passa a maior parte do tempo analisando as características alheias em vez das suas).

Relaxe. Pare de se preocupar com o pior que pode acontecer, principalmente em situações sociais. E se você cair de cara no chão? E se tiver espinafre preso nos dentes? Ou acidentalmente der uma cabeçada em um pretendente ao inclinar-se para beijá-lo? Aprenda a rir de si mesmo durante o momento e também depois dele.

Transforme isso em uma história engraçada que você possa compartilhar com os outros. Eles saberão que você não é perfeito (a) e você se sentirá mais à vontade. Além disso, a capacidade de rir de si mesmo e não se levar muito a sério é uma qualidade muito atraente!

Seja honesto e aberto. O que você tem a esconder? Somos todos seres humanos imperfeitos que estão crescendo e aprendendo. Se você se sentir envergonhado ou inseguro em relação a qualquer aspecto de si mesmo e acreditar que precise esconder certas coisas, físicas ou emocionais, deve acabar com isso e aprender a converter suas supostas falhas em peculiaridades individuais ou simplesmente nos atestados básicos e realistas das suas imperfeições.

Experimente a tática de aceitar suas imperfeições durante uma discussão com alguém. Muitas vezes, ao fazê-lo, você descobrirá que perdeu o motivo para continuar defendendo seu ponto de vista com teimosia, o que acontece porque você não quer dar o braço a torcer e se render. No momento em que você diz: "Olha, eu também fico muito irritado quando o quarto está uma bagunça e eu reconheço que não deveria deixar minhas roupas em uma pilha no chão. Eu ainda faço isso porque tenho um lado preguiçoso. Eu estou tentando me livrar desse hábito, sinto muito. Sei que poderia fazer melhor e vou tentar". Você pode terminar a briga ao ser honesto e acabar com o motivo da discussão.

Pare de se comparar com os outros. Se você estiver sempre se esforçando para ser alguém que não é, nunca será uma pessoa feliz. Isso acontece quando você se compara aos outros e quer ser exatamente como eles. É um terreno escorregadio, onde seus pensamentos se tornarão mais e mais negativos.

Você sempre pode ver as aparências que os outros desejam retratar publicamente, mas nunca verá o que realmente está acontecendo por trás da fachada de um mundo aparentemente perfeito. Ao comparar-se com os outros, você dá muito poder às aparências e reduz seu próprio valor com base em uma miragem. É uma atividade inútil que só faz mal.

Em vez disso, valorize quem você é, ame a sua personalidade e aceite seus defeitos. Todos temos defeitos e, como já explicamos, é melhor ser honesto do que fugir deles.

Pare de se preocupar com a forma como os outros o veem. Algumas pessoas gostarão de você e outras não. Qualquer atitude pode ser considerada tanto certa quanto errada. É quase impossível ser você mesmo quando se está constantemente pensando, "Eles me acham engraçado?" "Ela me acha gordo?" "Eles pensam que eu sou burro?" "Eu sou bom/esperto/popular o bastante para ser amigo deles?" Para ser você mesmo, é preciso abandonar essas preocupações e deixar seu comportamento fluir de forma natural, usando apenas a consideração que você tem pelos outros como um filtro — não a consideração deles por você.

Se muda por causa de uma pessoa ou de um grupo, outra pessoa ou grupo poderá não gostar da sua nova personalidade, e você poderá acabar caindo em um ciclo vicioso tentando agradar os outros em vez de se concentrar no desenvolvimento de seus talentos e pontos fortes.

Pare de tentar agradar os outros. Querer sempre o amor e o respeito de todo mundo é um exercício totalmente inútil que pode prejudicar sua confiança e desenvolvimento pessoal. Quem se importa com o que as outras pessoas dizem? Como Eleanor Roosevelt disse uma vez: Ninguém pode fazer você se sentir inferior sem o seu consentimento. O mais importante é ouvir a própria confiança interna e, se ela não estiver lá, começar a desenvolvê-la!

Isso significa que a opinião de ninguém importa? Não. A rejeição social machuca. Se for forçado a permanecer em uma situação onde deve passar a maior parte ou todo o tempo com pessoas que não o suportam, pode ser perigoso internalizar as ideias negativas que elas mantêm sobre você. O que você pode fazer é exercer alguma escolha em relação a quais opiniões você valoriza mais do que outras. É muito mais saudável prestar atenção em pessoas que realmente querem o seu bem e concordam com o que você quer da vida.




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