10/06/2020 às 11h26min - Atualizada em 10/06/2020 às 11h26min

“Black Lives Matter.!” - Vidas pretas importam

Julia Carolina, estudante de Jornalismo
O povo americano “grita” mais uma vez após seis anos, com a convicção dolorosa de que nascer negro em uma sociedade estruturalmente racista seja uma sentença de morte. O movimento “Black Lives Matter” apareceu pela primeira vez no ano de 2014, quando Eric Garnner, um homem de pele negra, foi contido por um policial branco em uma abordagem abusiva. Ele morreu pouco tempo depois da aplicação “mata leão” no meio da rua - indicou as filmagens feitas no local.  

Agora, em 2020, o movimento americano que tem como objetivo denunciar e mostrar a maneira agressiva com que os policiais tratam a vida, e os corpos negros, voltou a ter notoriedade na impressa e nas redes sociais ao redor do mundo. Infelizmente com o falecimento de mais um homem de pele negra, George Floyd tinha 46 anos e foi contido em uma abordagem policial na cidade americana de Minneapolis. Ele foi declarado morto pouco tempo depois de ser levado ao hospital.

O ocorrido desencadeou uma série de manifestações, em mais de quarenta cidades americanas, incluindo Washington, capital estadunidense. As movimentações nas ruas já se estendem por vários dias consecutivos e, pelo que tudo indica, a situação está bem longe de terminar.  

Em meio a isto, a imprensa e a mídia têm feito sua parte, ainda que com um pouco de excesso. A notícia tem chegado e mobilizado as pessoas a respeito de uma problemática social antiga e essencialmente pungente: a discriminação. A questão se expandiu, e agora escancara não somente as feridas  da comunidade negra, como também de todas as outras minorias sociais. Não atoa a imprensa é considerada por alguns como o “quarto poder”, o poder transformador.

É fundamentalmente necessário que o direito a vida e o direito à informação estejam alinhados, nestes casos, para que a “revolta” de um povo, ainda que excessiva para alguns e maçante na mídia, consiga romper com um sistema que sempre marginalizou esses determinados grupos. Agora, eles estão em evidência, gritando em alta voz e boa definição: “Black Lives Matter.!” (vidas pretas importam), e nesta luta já dizia a filosofa Angela Davis “não basta não ser racista, tem que ser antirracista!”



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