21/04/2020 às 15h06min - Atualizada em 21/04/2020 às 15h06min

O marco da fazenda São Francisco

ANTÔNIO PEREIRA
O historiador Tito Teixeira, em seu livro “Bandeirantes e Pioneiros do Brasil Central”, primeiro volume, faz uma descrição pormenorizada do giro que João Pereira da Rocha fez pelas terras do futuro município de Uberlândia, escolhendo um local à margem esquerda do rio das Velhas (Araguari), perto da Aldeia de Sant’Anna do Rio das Velhas (Indianópolis), para fixar-se definitivamente e tentar seu desenvolvimento econômico.
Pereira instalou sua fazenda, que nomeou de São Francisco, em homenagem ao santo de sua devoção, e estimulou amigos e parentes a que viessem também usufruir da fertilidade triangulina colaborando, dessa forma, com os interesses da província das Minas Gerais que pretendia uma posse real da região até há pouco pertencente a Goiás. Foi no dia 4 de abril de 1816, que dom João VI assinou o Alvará que desligou os Julgados de Desemboque e do Araxá da província de Goiás anexando-os à Comarca de Piracatu do Príncipe (Paracatu).
Embora tenha chegado em 1818, João só requereu sua sesmaria algum tempo depois, quando outros entrantes já possuíam suas “Cartas”. A dele tem a data de 19 de maio de 1821.
Não resta dúvida de que o povoamento das terras do futuro município teve início com João Pereira da Rocha. Baseado nesse fato incontestável, o Secretário do Diretório local do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, professor Jerônimo Arantes, promoveu, em 1942, a fixação de um marco comemorativo da chegada do nosso primeiro habitante com intenção de permanência.
A revista Uberlândia Ilustrada, de outubro de 1953, conta como foi a instalação do marco em nome da preservação do nosso patrimônio histórico. Foi no dia 18 de março de 1942.
Jerominho Arantes, como era conhecido o dinâmico professor, foi à fazenda São Francisco escolher um local para a instalação do marco.
Num terreno plano e elevado, próximo a velhos sinais da propriedade, fez-se uma cavidade profunda num rochedo no qual se fixou o monumento erguido pelo pedreiro Marinho Lozi. O então menino Guiomar Pereira de Rezende foi quem lançou a primeira pá de concreto na base da coluna de aço que seria o centro do marco.
O primeiro tijolo foi assentado pelo professor Jerominho. Ao final, foram afixadas duas placas de mármore. A primeira, no alto da coluna tem a seguinte inscrição: “Sede da Sesmaria S. Francisco de João Pereira da Rocha – 19.5.1821”. A segunda, colocada na base, diz: “Lembrança dos Pereiras – 1942”.
O monumento ficou dentro de uma área cercada medindo 25m2. Lavrou-se do Ato, uma Ata que foi assinada pelo professor Jerominho Arantes e pelo pedreiro Marinho Lozi.
 
 
Fontes: Jerônimo Arantes, Tito Teixeira


Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 
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