10/03/2020 às 08h00min - Atualizada em 10/03/2020 às 08h00min

A experiência do político honesto

Por Rodrigo Alves de Carvalho, jornalista e escritor
Cansados de assistir a tantos episódios de corrupção, ladroagem e politicagens diversas da grande maioria dos políticos de hoje, um grupo de cientistas decidiu criar, ou melhor, estruturar uma pessoa para se tornar um político perfeito, um político honesto.
A experiência foi realizada com um rapaz que já tinha boa índole, porém, ainda era novo no ramo da política, portanto ainda não havia se contaminado.

Foram meses de estudos e experimentos, alguns até nada convencionais para que o rapaz estivesse preparado para entrar de vez na carreira política, mas nesse caso como um político honesto.

Chips foram implantados em sua cabeça para monitorarem reações a comodidades parlamentares, choques elétricos foram desferidos em outra experiência toda vez que o rapaz se animava a receber propinas e até vídeos intermináveis mostrando a realidade brasileira e a vergonha da política atual o rapaz teve que assistir.

No final do experimento, nosso político honesto estava pronto. Faltava o grande teste e ele se candidatou à casa legislativa federal.
Uma campanha eleitoral foi bancada pelos cientistas para que o político honesto pudesse ser eleito e assim a experiência seria colocada em prática.

Durante a campanha, a população pode conhecer o candidato que não roubaria, não participaria de propina, não legislaria em favor próprio ou de um grupo político e, mais, não receberia de salário nada mais do que lhe era de direito, enfim, todos os eleitores puderam conhecer o político perfeito e talvez o único político totalmente honesto em nosso país.

Entretanto, quando as urnas foram apuradas, para surpresa dos cientistas, o político honesto não tinha sido eleito.

Os eleitores preferiram votar nos velhos políticos envolvidos em corrupção, falcatruas e desonestidades. Preferiram o candidato mais bonito, ou o que falava com voz aveludada, ou tinha um relógio maneiro ou que tinha a propaganda eleitoral mais engraçada...

Dessa forma, o político honesto não conseguiu realizar um mandato coerente com o que seria eleito, fiscalizando, criando leis que beneficiariam o povo e, o mais importante, não se envolvendo com falcatruas em politicagens nojentas.

A experiência havia fracassado. Agora os cientistas estão reunidos para outra experiência no intuito de melhorar a política do país.
Mas, ao invés de criarem políticos honestos, eles pretendem tentar criar eleitores conscientes.


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 
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