09/03/2020 às 07h59min - Atualizada em 09/03/2020 às 07h59min

O Esporte de Uberlândia é de quem?

ADRIANO SANTOS

Esta semana tive uma enorme surpresa: o professor multicampeão e referência internacional Hélio Rubens Garcia se adentrou no Instagram. Hélio está sempre em Uberlândia, pois tem uma filha que reside aqui juntamente com sua família. Hélio Rubens, Professor Ary Vidal e tantos outros que fizeram o basquete em Uberlândia. Iniciei falando de basquete porque sempre faço essa pergunta: O Esporte de Uberlândia é de quem?

No mês de fevereiro tivemos o Sul-americano de Vôlei em Uberlândia. O Praia foi derrotado pelo Minas Tênis. Tivemos jogos de alto nível e de padrão internacional. O que tem de errado nisso? A ausência do público. São ginásios vazios, ingressos caros e cidade sem envolvimento. Talvez você pense: “Mas o jogo foi no Sabiazinho, o que dobra a capacidade de público”. Nessa hora entra gestão do marketing esportivo. Calma, amanhã é dia Internacional da Mulher e sabe qual promoção do Uberlândia Esporte Clube para o Clássico x URT? Nenhuma, novamente estádio vazio. Aliás, não encheria de mulheres, mas também não enche de crianças, de alunos de escolas públicas e nem os atletas da Escolinha de Futebol da Futel. Será que eles sabem o que é Uberlândia Esporte Clube?

Por que será que o Campeonato Amador reúne milhares de apaixonados todos os domingos? Claro que não há nenhuma empresa realizando marketing esportivo nesse produto. Mas é do povo, é a cara do povo, e o povo tem acesso, é acessível.

O basquete em Uberlândia era do povo, todos tinham acesso. Os jogadores entravam pelo mesmo portão que a torcida utilizava. Os valores do basquete eram acessíveis e era na área central da cidade, era mais fácil de chegar, havia sinergia, tinha gente que dormia na fila em dia de jogos importantes. O basquete não é um esporte que se pratica em qualquer lugar, tênis e adereços são caros. Mas o basquete em Uberlândia tinha a cara do povo.

Faz tempo que a cidade não respira um esporte que seja a cara do povo. O Maracanã do Flamengo tem ingressos caros, não é mais o Maracanã da favela. Mas existem políticas de preços e sócio torcedor. É uma marca gerida para todos, não apenas para singelos fanáticos.

Diga-me um atleta do Uberlândia Esporte que representa algo a crianças e adolescentes? Diga-me uma atleta do vôlei que representa algo aos “não conhecedores” da causa do vôlei?

A cidade conhece o “Neto do futsal”, melhor do mundo. A cidade conhece mais o Alexandre Pires que todos os jogadores de todos os trabalhos dos esportes coletivos individuais da cidade. Não porque ele é também cantor, visto o futebol contra fome que tem uma iniciativa bastante popular.

No vôlei, arrisco a dizer que a Mirtes, técnica das categorias do Praia Clube, é mais representante de um ciclo que as jogadoras midiáticas que logo estarão fora do ciclo Uberlândia.

Arrisco a dizer que o Manoel do Vôlei, o Neto Caixeta ex-atleta do amador, o Morcego técnico de Futsal do Praia, o Vô, ex-atleta de Futsal, o Adélio do amador, Dário do Futebol amador, grande Mazola, antigo Brás do Tubalina, Jaime Gil do Luizote, Batista goleiro, hoje excelente treinador, Tatu, Canela, Valtinho, amador do antigo time de basquete, Marc Brow, Vargas, pivô do time de basquete, quem não lembra do Huguismar ou sabe algo da sua história, o Maurinho, ex Uberlândia juntamente com Fernando Mariano e o Bruno Henrique são as únicas figuras que são fixadas na cabeça do povo quando a gente quer falar de Futebol. Pai nego grande Pai nego, Aender do amador, Alcione do amador também.

Os nossos esportes locais não sabem produzir ídolos porque não sabem massificar o esporte que eles mesmos constroem. O esporte não pode ser de um clube ou de uma organização, precisa falar e ser a interação do povo. A voz do povo é a voz das arquibancadas. Ela sempre precisa ser levada a sério.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.



















 

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