21/02/2020 às 08h00min - Atualizada em 21/02/2020 às 08h00min

Cara de pau

CELSO MACHADO

É ambíguo, ele está por aí, isso no sentido geográfico, perto e próximo da gente; e não está nem aí para o que pensamos e sentimos sobre e por ele. Por mais que tente, pelo menos no meu caso, ficar livre dessas figuras, até parece castigo: com mais intensidade elas se aproximam.

Como minha antipatia não é pequena, igualmente minha comunicação não verbal não consegue disfarçar, fico sem entender como esses tipos não desconfiam. Pura ingenuidade, cara de pau legítimo não dá a mínima bola para o que provoca. Quer levar vantagem, sempre. E às custas dos outros.

Pode ser encontrado nos mais diferentes ambientes. No trânsito, mudando de pista a todo momento para chegar na frente. Estacionando em locais não permitidos; ocupando mais de uma vaga para seu veículo ficar mais distante dos outros. Nas filas procurando todo tipo de forma de ser atendido na frente de quem chegou primeiro. Muitas vezes usando aquela velha desculpa de estar apressado por que tem outro compromisso urgente.

Capaz de soltar um “pum” no meio dos outros e reclamar do cheiro como se não tivesse nada com isso. E nas mesas de botecos? Quem não conhece aquela figurinha que senta sem ser convidado, pede petisco, bebida e sai sem pagar. E se bobear, ainda é capaz de pegar a gorjeta que deixamos para o garçom.

Por mais que os evite, não são esses o que mais me causam repugnância, são os que copiam descaradamente ideias e iniciativas.
Lembro de um comentário de um grande personagem da TV brasileira, que era chamado de “o senhor dos Domingos”, Flávio Cavalcante sobre uma figura que era mestre em adotar esse tipo de conduta: Carlos Imperial. Que vivia registrando como de sua autoria várias músicas de domínio público. Dizia Flávio Cavalcante que pelo menos Imperial tinha o discernimento de plagiar obras bonitas e de pessoas longe do seu círculo de relacionamento.

Pois é, no meu caso o cara de pau que mais me irrita é aquele que copia quem está perto, com quem convive e compartilha dos mesmos ambientes. E, claro, só plagia o que vem dando certo, aquilo em que outros investiram tempo, dedicação e recursos. Já tentei, não adianta. Ainda não encontrei medicamento preventivo capaz de amenizar as náuseas que sinto.

Paciência, melhor deixar pra lá. Prefiro continuar acreditando que cópia sempre vai ser imitação, nunca manifestação de talento e criatividade. Torcendo para que falte óleo de peroba para dar lustro em tamanha cara de pau...
 
 *O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.













 

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