31/01/2020 às 13h35min - Atualizada em 31/01/2020 às 13h35min

O novo momento com a velha oportunidade

Por José Amaral Neto, presidente do Movimento de Articulação e Integração Popular (Maipo)
Sabe aquele rádio que você sabe que funciona, mas não há som que faça você escutá-lo? Pois é, é assim o momento político atual. Para agora alguém no escurinho do seu espaço monta um palco e começa a arregimentar asseclas; e estes dedicados aplaudem o silêncio. Em 1950 era assim. Nos anos 1800 era assim. E já se vão mais de 10.000 anos atrás quando Raul Seixas cantou a canção, e já era assim.

E é justamente este “era assim” que precisa ser mudado. Não tem como evoluir sem desconstruir o que vem alimentando equívocos e sofrimento para as pessoas. E olhar para uma cidade é preciso pensar projetos realizáveis e de alcance político-social, não politicagem. Um mandato deve ser um mandato. E o que vem a seguir deve ser avaliado no quesito: amor à cidade. Amor partilhado com as pessoas. Ou seja, os projetos em andamento precisam ser continuados e terminados. A cidade não pode ter bandeira pessoal, precisa sim possuir um entendimento de que a gestão pública é coletiva e para pessoas.

Antes da plateia é preciso entender que o voto será de quem mostrar a maneira como governará. E principalmente, o voto irá para quem apresentar os que o seguem. É o entorno que faz o fluxo da via funcionar. Não tem como discursar pelo fim da prática de anos antanhos, se o interlocutor se cerca de pessoas que veem na tipografia o novo offset (digital é coisa do cão, para alguns seguimentos políticos). Não é julgamento, apenas uma constatação de que o novo momento é a velha oportunidade.

E vai se coroando a máxima que precisa ser destronada: “- O povo! O povo; ora o povo é só povo”. Quem ladra que não gosta de política sujeita a ele e a outros tantos que querem participar, mas só veem críticas, a serem governados pelo que a minoria determina.

Uma candidatura precisa de estratégia e estrutura, mas muito mais que isso, precisa de cheiro de povo. O voto está com o povo quer onde esteja ele. Uma construção política de gabinete quase sempre tropeça na soleira. Quem apresenta a liderança que se dispõe dita o ritmo e a identidade de uma candidatura, e de sua eventual vitória. Não é só ser carregado nos braços da multidão, mas empolgá-la é dever de quem postula a função política.

Não dá para fazer política só com propaganda. O tempo hoje é do estresse geral. Marketing só o da viagem dos sonhos, com a pessoa linda que é imersa em água azul ou esverdeada, paradisiacamente.

Outro fator é o da articulação. Sem influência nos inúmeros setores que formam uma cidade não há como governar e ter resultados positivos. Seja na implementação ou na execução de um projeto. E para isso é preciso ter pessoas sérias já no período eleitoral defendendo o programa de governo pensado. No entanto, o que geralmente ocorre é a ausência de guerreiros que vão à luta pela liderança que postula o cargo político.

Essa fragilidade é fatal e não oferece sobrevida. Percebê-la não basta, é preciso evitá-la e isso só acontece se a liderança souber conviver com quem lhe aquece conjuntamente, com quem lhe dá o cobertor; e este é curto e cobre somente os pés. Articular não é só se dar bem com as pessoas; é preciso se fazer entender naturalmente. A articulação se dá na conversa diária, numa agenda de reciprocidade e de interesses comuns quando o objeto é a cidade que se quer administrar e o bem-estar das pessoas que nela vivem.

O perfil político do momento é o de uma mulher, ou homem, que se vê como cidadão, num ambiente onde as pessoas estão com medo de tomar decisões. A depressão assola alarmantemente o ser humano, que prefere ser adestrado a assumir uma posição de frente. Entender esse momento atemporal em que estão vivendo grande parte das pessoas, neste início de segunda década do século XXI, é o desafio de quem quer fazer a diferença.

A experiência não vem com a idade, mas sim com as chances de externar e experienciar ideias que o indivíduo conquista. Não é um caminho fácil se apresentar à experiência. O legado é o brilho. #VamosConversando


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.





 
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