26/01/2020 às 08h00min - Atualizada em 26/01/2020 às 08h00min

Agora é a hora

ALEXANDRE HENRY

Certamente, você também fez propósitos de ano novo há poucas semanas. Fazer mais exercícios físicos, melhorar a alimentação, parar de fumar, diminuir o uso do celular, voltar a estudar etc. Pois agora, no final de janeiro, chegou a hora de você realmente decidir se vai mudar a sua vida ou não. Tomar uma resolução de ano novo não é tão difícil. Começar a colocá-la em prática já exige um pouco mais de energia. Persistir na implantação de suas decisões, isso sim, é o grande desafio.

Ouvi uma palestra há poucos dias da professora e psicóloga americana Wendy Wook, autora do livro “Good Habits, Bad Habits: The Science Of Making Positive Changes That Stick”, que deu informações cruciais para quem realmente quer promover mudanças em sua vida. O primeiro passo é entender que quase metade das nossas ações diárias é feita de maneira automática, como escovar os dentes após o almoço ou tomar um banho no final do dia. Você não pensa todos os dias: “nossa, agora é a hora de eu escovar os dentes e, se eu não fizer isso, vou ter cáries”. Você simplesmente vai lá e faz a escovação, pois está habituado a isso. Qual é a importância dessa informação? Se você quiser inserir uma mudança em sua vida, como a prática de exercícios, tente fazer com que a ida à academia se torne um hábito, que seja algo automático.

Mas, como tornar algo um hábito? Além de tomar a decisão inicial e de dar o primeiro passo, como se matricular na academia, você precisa reduzir o que os americanos chamam de “friction”, ideia que pode ser resumida com o seguinte pensamento: reduza as dificuldades para a execução da tarefa que você quer tornar um hábito em sua vida. É mais fácil ir a uma academia do lado da sua casa do que a uma do outro lado da cidade. Se você só tem tempo depois do trabalho, é mais fácil deixar uma roupa de ginástica dentro de sua bolsa e ir direto para a academia do que passar primeiro em sua casa para se trocar. O contrário também vale: se você quer acabar com um hábito ruim, aumente as dificuldades. Você fuma? Deixe o cigarro sempre longe de você, de maneira a ter que se levantar para pegá-lo. O mesmo vale para o celular, quando você quer reduzir seu uso. Há, por exemplo, recursos que permitem a você programar o celular para exigir, durante determinado período do dia, uma senha para acessar determinados aplicativos. Coloque essa senha. Retire as redes sociais de seu aparelho, obrigando-o a acessá-las apenas de um computador ou do navegador do seu aparelho, o que é mais difícil.

Essa questão da “fricção”, do atrito, das facilidades ou dificuldades é essencial e é mais importante do que qualquer conscientização. Wendy Wook citou o exemplo do cigarro nos EUA. Campanhas em décadas passadas conseguiram convencer a maioria dos americanos de que cigarro faz mal, mas não reduziram o consumo. O que reduziu foi um conjunto posterior de ações que dificultou a compra do produto, como a sua proibição de venda em máquinas automáticas. Saber que o cigarro mata tem menos efeito do que a pessoa ter que sair de casa para comprá-lo em um local mais distante. Em síntese, ao trabalhar com seus hábitos, seja para criá-los ou para extingui-los, mire sempre as facilidades e dificuldades para você praticar aquele determinado ato.

Outro ponto é a questão da recompensa imediata. Como citado pela autora, fumar traz uma recompensa imediata gigantesca, provocando boas sensações corporais na maioria das pessoas. Fazer exercícios traz recompensas apenas a longo prazo, depois de muito esforço. A questão é que o ser humano é talhado para privilegiar o imediatismo quando se trata de recompensas. Por isso, manipule essa parte também. Se há algo de que você gosta muito, permita-se ter acesso a isso apenas depois da academia ou depois de ficar um dia inteiro sem fumar. Dê recompensas imediatas a você mesmo sempre que conseguir praticar um ato bom ou deixar de praticar um ato ruim.

A autora ainda dá mais algumas dicas e, dentre elas, destaco uma última: para criar um hábito, se possível, insira-o no contexto de outro hábito que você já tem. Precisa se lembrar de tomar um remédio todo dia antes de dormir? Mas, o que você faz todo dia antes de dormir? Coloca o celular para carregar? Então deixe o remédio junto do carregador de celular. Logo, tomá-lo se tornará também um hábito.

Para terminar, reforço que cada um pode ter muito mais controle de sua própria vida do que imagina. Quem é dono de si é mais feliz, com toda certeza. E ter controle da sua própria vida passa pela questão dos hábitos, inevitavelmente.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.










 

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