21/01/2020 às 08h27min - Atualizada em 21/01/2020 às 08h27min

Outras lembranças do capparelli

Antônio Pereira
“O Brasil ainda importava enxadas, machados, facões, foices da Inglaterra e de outros países da Europa. O sr. J. Siquierolli fazia essas coisas todas. Quando terminou a guerra, ele foi chamado a São Paulo para produzir isso lá. Uma das maiores fábricas de peças para automóvel, SIQ, foi ele quem deu origem a essa fábrica”


Conversei com o sr. Sebastião Capparelli, em novembro de 1990, sobre os velhos italianos da cidade e ele me contou: “Aqueles que se destacaram foram: o Sílvio Rugani - ele trouxe pra cá uma indústria de telas de arame, ele sabia fazer projetos industriais. Era homem muito inteligente, de uma família muito boa. Os Crosara - que trouxeram fundição, fábrica de arados, todo tipo de coisas para agricultura. O Anselmo Crosara trouxe pra cá uma coisa interessante, a niquelação, a galvanização que naturalmente atraiam pessoas de fora que precisavam desses serviços. Depois veio a família Pelizer. Ainda hoje existe o sr. Gino Pelizer. Tinha outras famílias, como os Felice. Seu Felice era um grande alfaiate, ele era até demais para Uberlândia. Tinha os Finotti que trouxeram as indústrias de madeira, marcenaria, alfaiataria. A alfaiataria do Felice era onde é o Bazar Oriental, na avenida Afonso Pena. O nome dele era Eduardo. Era bom alfaiate e vestia-se com muita elegância. Os Finotti tinham alfaiataria ali em frente ao Bradesco (av. Afonso Pena). Aquele prédio foram eles que construíram, depois venderam para o sr. Elias Simão.”

“O Brasil ainda importava enxadas, machados, facões, foices da Inglaterra e de outros países da Europa. O sr. J. Siquierolli fazia essas coisas todas. Quando terminou a guerra, ele foi chamado a São Paulo para produzir isso lá. Uma das maiores fábricas de peças para automóvel, SIQ, foi ele quem deu origem a essa fábrica. Tem um outro ramo dos Siquierolli que até há pouco tempo produzia barcos, aparelhos de gasogênio. Eles eram capazes de produzir tudo aquilo que você pudesse imaginar. E tinha o Vitório que tinha uma chácara lá perto do Distrito Industrial, do lado esquerdo do bairro Cruzeiro do Sul. Tinha um rego d’água muito grande que tocava a indústria dele. Com molas de caminhão ele produzia foices e uma peça de base para se colocarem os arreios nos animais. Era um homem capaz de fazer o que você pedisse na forja. Ele era uma bondade. A mulher dele fazia doces de toda qualidade. Você chegava na casa dele comia doce até se fartar. Ele adotou muitas crianças.”

“A maioria deles veio de Conquista para cá. A fábrica de Guaraná Mineiro era dos Zago. Eles vieram de Conquista. Fez o maior sucesso. Depois eles se adequaram para produzir o Guaraná Antárctica. Teve outros fabricantes de guaraná, italianos. (Não se lembrou dos nomes).”   
                      
“Conheço outros mais antigos como Turbiano, Adriano Bailoni. O Bailoni era construtor. Del Favero construiu a Prefeitura, fez uma porção de prédios aí que eu não sei mais onde estão. Ali na Prefeitura não tem nenhum ferro e aquela arquitetura não vai perder nunca aquela beleza. O Schiavinatto, por exemplo, ele era pedreiro quando chegou aqui. O Vasconcelos Costa trouxe para cá os calçamentos com pé de moleque. A enxurrada quando vinha levantava aquilo tudo. O seu João Schiavinatto foi chamado para fazer uma base encostada à calçada para passar a água. Chegou a ser um grande comerciante. Tinha a fábrica de macarrão do sr. Francisco Galassi, pai do Virgílio. Onde é a loja do MIG. Era uma fábrica boa. Não me lembro bem da época.”

Fonte: Sebastião Capparelli





*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.












 
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