19/01/2020 às 08h00min - Atualizada em 19/01/2020 às 08h00min

Ainda sobre viagens

ALEXANDRE HENRY
Eu me acho um pouco esquisito em viagens, pois, para além dos pontos turísticos da cidade, eu aprecio algumas coisas não muito convencionais. Dentre elas, gosto de ir a supermercados quando estou em outros países. Sim, eu sei, parece ridículo estar em Genebra, na Suíça, e sentir prazer com uma gôndola de geleias, assim como parece estranho ficar namorando as várias marcas de erva mate em Buenos Aires. Pior ainda é a parte de verduras e frutas: ali, parece que estou no paraíso, conferindo as espécies que não conheço, comparando os nomes com os nossos e sentindo cheiros diferentes. Vá entender esse meu gosto, né?

Bom, mas sei que há várias outras pessoas que também gostam de sair do usual quando viajam, seja dentro do Brasil, seja fora dele. Como mencionei na semana passada aqui, a tecnologia tem oferecido experiências muito interessantes e que podem complementar aquela ida ao supermercado que tanto me dá prazer. Para começar, as hospedagens. Com a multiplicação de plataformas de hospedagem por temporada, em casas e apartamentos, ficar em um hotel se tornou apenas mais uma opção. Já me hospedei em imóveis de temporada várias vezes, dentro e fora do Brasil. Quando se está com muita gente, quase sempre é a melhor opção, apesar do trabalho extra que dá com limpeza e comida. Mesmo quando não se está viajando com um grupo, pode ser uma experiência interessante, ainda mais se você for ficar vários dias na mesma cidade. Dou como exemplo uma recente viagem de duas semanas que fiz à Argentina. De certa maneira, eu me senti um pouquinho como um “local”: em alguns dias, já tinha minha padaria preferida e até a atendente me conhecia; fui ao supermercado várias vezes (ô, coisa boa!) para comprar bobagens para a casa e, aí sim, em uma experiência bem local, tive uma rusga com uma vizinha que queria me explicar toda vez que me via sobre a necessidade de manter a porta do prédio sempre bem fechada. Quer experiência mais local do que brigar com um vizinho?

É certo que imóveis por temporada às vezes não compensam. Se for por pouquíssimo tempo, se for apenas um casal, se a cidade tiver muitas opções boas de hotel, se seus horários de saída e de chegada forem durante a madrugada, pode não compensar. Enfim, há que se ponderar. De toda sorte, na sua próxima viagem, se você ainda não ficou em um imóvel desses, analise se não seria uma interessante oportunidade para fazer sua jornada ficar mais autêntica.

Outra coisa bacana que citei aqui na semana passada são as experiências locais oferecidas por alguns portais como o TripAdvisor e o AirBnb. Na minha recente visita à Argentina, contratei três delas. Na primeira, fui com minha esposa ao apartamento de um casal de músicos. Ele, um americano que mora em Buenos Aires desde 1992 e toca música de maneira magnífica. Ela, uma argentina que chegou a ser indicada para o Grammy. Sabe aquela noite diferente? Não estávamos em um restaurante, em um local de shows, nada disso. Estávamos na casa deles, sentados na sala, rodeados de livros e ouvindo histórias interessantíssimas sobre o tango, acompanhadas de lindas canções interpretadas no violão. Ali, ainda que houvesse uma preparação para turistas, certamente tínhamos à disposição uma experiência muito mais autêntica do que teríamos em uma casa de espetáculos.

Outro passeio que contratei foi com dois guias argentinos que levaram a mim e a um pequeno grupo pelas ruas de Buenos Aires à noite, passeando de bicicleta e ouvindo excelentes explicações sobre a história e a arquitetura argentinas representadas em vários prédios e monumentos. Sim, eu sim, guias de turismo já existem desde sempre. Agora, um passeio durante a noite, com poucas pessoas e de bicicleta, sem a pasteurização de uma grande organização de turismo por trás, isso já não é algo comum e era muito mais raro há algumas décadas. Eu pude, naquelas três horas que terminaram com um “choripan” (sanduíche típico da cidade) em uma bodega de rua qualquer, ter uma experiência realmente diferente das que já havia tido na capital dos nossos vizinhos.

Não vou me estender detalhando o terceiro passeio porque, para ser bem sincero, ele foi feito só pela minha esposa e consistiu em uma lição de culinária em um apartamento de um argentino. Encerro dizendo apenas que compensa buscar esse tipo de serviço que tem se multiplicado na internet e que, desde que contratado em portais conhecidos e bem estruturados, pode ser uma segura e excelente opção para fazer da sua viagem, realmente, algo inesquecível.


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.





 
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