25/12/2019 às 10h20min - Atualizada em 25/12/2019 às 10h20min

Como falar com Deus

FERNANDO CUNHA
Exatamente hoje, 25 de dezembro de 2019, completam-se sete anos que não coloco um único cigarro na boca depois de fumar por mais de 20 anos ininterruptos. Na véspera do Natal de 2012 eu sofri uma isquemia cerebral transitória (ICT) por conta da hipertensão arterial. Durante uns 30 minutos fiquei com o meu lado esquerdo todo paralisado. Não conseguia andar e nem levantar o braço esquerdo. Me lembro que a única coisa que me veio à cabeça naquele momento foi conversar com Deus. Depois de orar por incontáveis vezes fui recuperando os movimentos aos poucos. Chegando ao hospital, constatou-se que a minha pressão estava em 12 por 17. Uma tomografia e uma ressonância magnética confirmaram o diagnóstico de ICT. Assim que saí do hospital, após umas nove horas de internação, a primeira coisa que fiz foi jogar o meu maço de cigarros fora. Prometi a mim mesmo que nunca mais iria fumar. Após o ocorrido, todos os dias agradeço a Deus por ter me livrado de qualquer sequela.

Hoje resolvi compartilhar essa história pessoal apenas para demonstrar o quanto acredito no poder da oração. O ato de se comunicar verbalmente com Deus, com o Divino ou com o Universo, como preferir denominá-lo, é algo de extremo valor, desde que o façamos com fé. “Ter fé é acreditar naquilo que não se vê”, diz um versículo da carta de São Paulo aos Hebreus. Acredito que você, leitor, já tenha passado ou esteja passando por situações difíceis e, vez ou outra, se vê falando com Deus. Quanta gente parte em peregrinações diversas aos rincões mais longínquos para falar com Ele? Quantas pessoas maravilhosas dedicam o seu precioso tempo a orar pelos enfermos em leitos de hospitais? Cada qual com a sua religião, credo ou crença. O fato é que Ele está sempre lá, disposto a nos ouvir e nos atender na medida em que realmente necessitamos, pois quase sempre Ele não nos dá aquilo que pedimos.

Mas quando o ser humano começou a orar? Quem fez a primeira oração? Antes de apontar hipóteses e evidências sobre estas questões, quero deixar claro que não pretendo dar uma conotação religiosa a este artigo. A minha pretensão é apontar uma maneira mais eficaz de nos comunicarmos e, com isso, obtermos melhores resultados, inclusive por meio da oração. Relatos bíblicos mostram que, após o nascimento de Enos, em Genesis 4, começou-se “a invocar o nome do Senhor” (Gn 4.26). O verbo “invocar” pode estar relacionado ao ato de cultuar ou adorar, mas em outros textos ele é sinônimo de clamar ou orar. Davi escreve em uma de suas orações “na minha angústia, ‘invoquei’ o Senhor, ‘clamei’ a meu Deus; ele, do seu templo, ouviu a minha voz” (2Sm 22.7). No Salmo 50, Deus diz: “invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás”.

Dias atrás, pesquisando sobre o tema, encontrei o depoimento de um professor de psicologia e mestrando pela Universidade de São Paulo (USP), chamado Alberto Domeniconi, no qual ele diz que a oração pode ser considerada uma conversa real, já que produz os mesmos efeitos cerebrais quando conversamos com uma pessoa. Além disso, ele vê a prática da oração como uma psicoterapia e rejeita a relação entre problemas psicológicos e a falta de comunhão com Deus. “Tem se descoberto que a prática regular da oração pode afetar de maneira positiva a vida das pessoas em aspectos tais como a superação de tragédias e problemas pessoais, no enfrentamento do stress, ansiedade e depressão, e também como fator de aumento da qualidade de vida como um todo”, afirma.   

E você? Como tem se comunicado com Deus? Você tem dedicado os seus momentos de oração apenas para reclamar e pedir ou simplesmente para agradecer? Quando reclamamos, estamos clamando por aquilo que não queremos. Reclamar é clamar ao contrário. Pessoas que vivem reclamando quase nunca estão satisfeitas com aquilo que possuem e sempre adoram e desejam o que não tem. Para essas pessoas, a grama do vizinho é sempre mais verde. Ao contrário, quando agradecemos, pedimos para que a graça divina desça sobre nós. Agradecer é o mesmo que pedir para “a graça descer”. Pessoas gratas pelo que são e por tudo aquilo que possuem vivem satisfeitas e quase sempre acreditam que tem mais do que merecem ter. Para as pessoas que sempre agradecem, a vida por si só já é uma dádiva. Desde 2012, a celebração do Natal se transformou em algo extremamente significativo para mim. Por isso, desejo que este Natal, para todos nós, seja imbuído pelos mais sinceros sentimentos de gratidão. Feliz Natal!        


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 
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