12/12/2019 às 14h21min - Atualizada em 12/12/2019 às 14h21min

Sobre os pedidos de cassação dos vereadores

Por Gabriel Santos Miranda, técnico em Meio Ambiente
Desde o dia 11 de novembro, quando protocolei na Câmara Municipal o pedido de cassação do mandato do vereador Alexandre Nogueira por quebra de decoro parlamentar – uma vez que em depoimento dado ao Ministério Público Estadual, no dia 31 de Outubro do presente ano, o vereador assumiu a compra de um van escolar em nome de um laranja para receber parte do dinheiro pela prestação de serviço no município de Araguari – recebi diversos questionamentos, mais alguns em específicos se repetiam: “quem te ajudou?”, “quem fez o requerimento por você?”, “quem te incentivou a isso?”. Um dirigente partidário até me chamou de irresponsável. Parece que de alguma forma, no inconsciente coletivo de todas estas pessoas, um jovem de 21 anos de idade não teria capacidade para sozinho entrar com um pedido de cassação de mandato de um vereador e ser protagonista de uma ação política. 

Desde a eclosão da operação Lava Jato, o sentimento antipolítico sempre presente tem se aflorado e aumentado com o aprofundamento da divisão política no Brasil. O velho ditado popular “política e religião não se discutem” nunca pareceu tão atual. Entretanto, de forma contraproducente, após as manifestações de 2013, nunca neste país a política foi tão presente nos churrascos de família. Desde o dia 11, mais quatro pedidos de cassação de mandato foram protocolados, sendo dois deles aceitos pelos vereadores. Parece que aquele pedido inicial contra o vereador Alexandre Nogueira mostrou para os cidadãos desta cidade que é possível fazer alguma coisa frente ao escárnio que muitos vereadores têm atuado em seus mandatos.

Esses pedidos protocolados por cidadãos comuns demonstram que em um estado democrático de direito todos nós podemos fazer alguma coisa para mudar a realidade, além de lamentar os problemas que diuturnamente todos nós sofremos. Todo cidadão é agente capaz para oferecer acusação à Câmara Municipal, desde que ele esteja em gozo dos seus direitos políticos. Afinal, a acusação de crime de responsabilidade é prerrogativa da cidadania, e cidadão tem o direito de participar da política.  A política só irá funcionar para pessoas comuns quando pessoas comuns estiverem presentes e atuando na política, cobrando e fiscalizando a atuação dos eleitos

Ter representantes eleitos cassados não é motivo de comemoração, isso demonstra que nós, povo, temos feito péssimas escolhas de pessoas que não valem a pena obter o título de representantes do povo. Esta situação em que se encontra a Câmara Municipal de Uberlândia vale uma reflexão de todos nós, para que nas eleições do ano que vem possamos escolher melhores nomes para o Legislativo municipal. Quando um vereador é cassado, todos nós perdemos com isso.

Quanto à juventude, esta tem demonstrado que é sim capaz de alterar os rumos da história e capaz de construir um mundo melhor para se viver. São exemplos destes jovens Greta Thunberg, liderando a Marcha pelo Clima, José Augusto, que criou uma biblioteca comunitária na Escola Estadual do Parque São Jorge, Dandara Tonantzin, que se tornou uma grande liderança do movimento negro após ser vítima de racismo, e tantos outros jovens que, em Uberlândia ou no mundo, têm saído das redes sociais e enfrentando problemas reais tentando resolvê-los.

Se afastar do jogo político e deixar as decisões que impactam diretamente nossas vidas para um seleto grupo de pessoas não é a melhor decisão, quando deixamos a política de lado deixamos também o nosso presente e futuro nas mãos de outros. “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”, disse Martin Luther King.


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 
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