29/11/2019 às 07h51min - Atualizada em 29/11/2019 às 07h51min

A revolução agrária que vem das pedras

ODELMO LEÃO | PREFEITO DE UBERLÂNDIA

No início do último mês, sediamos em Uberlândia o primeiro seminário de Minas Gerais sobre um recurso que pode revolucionar o agronegócio brasileiro: o pó de rocha. Pesquisas realizadas por importantes instituições, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apontam que esse material é um potente remineralizador do solo. Ou seja, é um material capaz de recuperar a terra da forma mais natural possível e com viabilidade econômica, que é o grande desafio de todo produtor.

E é por isso que o seminário, mais do que um evento técnico, foi pensado como um dos marcos do que pode ser essa nova fase da agricultura brasileira, diretamente relacionada ao que o Triângulo Mineiro tem a oferecer. Há dois anos, iniciamos estudos sobre o potencial de Uberlândia como força-motriz no País para difusão do pó como insumo do futuro. Afinal, o município está assentado sobre um maciço de basalto (rocha silicática de origem vulcânica bastante rica em minerais), possuindo mais de 16 mil hectares desse recurso pronto para uma nova revolução no campo.

Amostras que enviamos para análise constataram também a alta qualidade da rocha existente nesse canto do cerrado mineiro. Além de uma variedade de micronutrientes, o material possui altas concentrações de cálcio, magnésio e potássio, bem acima do mínimo exigido em normativa do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Mas a simples existência em abundância do insumo não é suficiente. O agricultor precisa saber quais vantagens são oferecidas para a lavoura e como terá acesso a esse produto. Testes com aplicação de agrominerais apontam aumento de rendimento na produção da ordem de 20% a 30%, melhora da sanidade das plantas, maior retenção de carbono no solo e maior resistência às intempéries, com redução no uso de fertilizantes sintéticos, que encarecem os custos da lavoura.

Todos esses benefícios podem estar ao alcance do produtor, desde que atrelados à logística adequada. Segunda maior cidade de Minas Gerais, Uberlândia está localizada no entroncamento de importantes rodovias (BRs 050, 365 e 452) e atendida por uma malha ferroviária que possibilita a interligação entre as regiões Centro-Oeste e Sudeste do país. Estamos ligados diretamente a cinco dos maiores polos econômicos brasileiros (Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Brasília), possuímos o único entreposto mineiro da Zona Franca de Manaus, sediamos o Porto Seco do Cerrado (que interliga aos portos de Vitória-ES e Santos-SP) e temos o maior aeroporto operado pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) em Minas Gerais (por onde passam tanto passageiros quanto cargas).

Como agentes públicos, precisamos ser facilitadores e, portanto, trabalhamos para que essa estrutura continue evoluindo. Ainda em agosto deste ano, eu estive reunido com o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. Apresentei nosso estudo logístico desenvolvido nos últimos meses para melhorar ainda mais a infraestrutura da cidade, da região do Triângulo Mineiro e de Minas Gerais como um todo. Na ocasião, também falei sobre as potencialidades do basalto, reafirmando nosso compromisso em apoiar o fortalecimento deste que é um dos setores que mais contribuem com o desenvolvimento do Brasil: o agronegócio.

Sei da importância de cada agricultor e agricultora do nosso Brasil, pois está em suas mãos o alimento que chega à mesa de milhões de pessoas todos os dias. Porém, do sul da Bahia ao Centro-Oeste brasileiro, 17 milhões dos 37 milhões de hectares de terra com lavouras, pastagens e florestas estão, em diferentes graus, percolados e empobrecidos de nutrientes. Com o basalto de Uberlândia aliado às facilidades logísticas da região, a recuperação pode ser promovida com respeito à natureza, economia e segurança alimentar. Das pedras, surge um novo marco da nossa agricultura. Cabe somente a nós sermos os protagonistas dessa realidade mais do que promissora.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.









 

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