26/11/2019 às 08h28min - Atualizada em 26/11/2019 às 08h28min

Maçonaria Centenária

ANTONIO PEREIRA

Naqueles idos de 1896, São Pedro de Uberabinha era do tamanho de seus atuais distritos. Ou menor. Apenas há oito anos deixara de ser distrito de Uberaba. Seu grande melhoramento era a linha da Mogiana, chegada em 1895, cuja pequenina estação ficava lá em cima, no meio do cerrado (hoje, praça Sérgio Pacheco). Chegava-se lá por trilhas no meio do areal. A cidade terminava no cemitério velho (praça Clarimundo Carneiro). Não possuía energia elétrica, nem serviço de água, nem esgoto.

Num dia de agosto de 1896, seis comerciantes do Rio de Janeiro, maçons, tomaram um trem de ferro na estação da Central do Brasil, desembarcaram em São Paulo, reembarcaram na Inglesa, até Campinas, e, daí, subiram até Uberabinha pela Mogiana. Eram: Joaquim José Ferreira Telles, Joaquim Lopes Ferreira, José Otero Fernandes, Plácido Gonçalves Meirelles, Augusto Monteiro Falcão e Irineu de Mello Franco. Também pela Mogiana, chegaram mais cinco irmãos maçons de Uberaba: Artur Lobo e Antônio Augusto T. de Magalhães que eram professores, Antônio Cesário da Silva Oliveira, advogado, Maximiliano José de Moura, funcionário público e Mário Pio Guimarães Tourinho, promotor público. De Araguari veio José di Rosatto. E Joaquim Maia da Silva Freire não disse de onde veio.

Certamente ficaram no Hotel do Comércio, do português José Loureiro Bexiga, que era o mais conhecido. A esse grupo de treze juntou-se Dâmaso Martins Marquez, iniciado em Uberaba, que morava em Uberabinha há uns dez anos e foi o primeiro maçom da cidade.

No dia 20 de agosto, esses quatorze irmãos se reuniram num lugar que não se sabe onde tenha sido, e fundaram a primeira Loja Maçônica da cidade e uma das mais antigas do país em atividade, a LUZ E CARIDADE. Nesse mesmo dia foram iniciados doze candidatos uberabinhenses, também considerados fundadores. São eles: Agenor Gonzaga (comerciante), João Moreira Ribeiro (comerciante), Angelo Zocolli (comerciante), José Antônio de Medeiros Cruz (juiz de direito), José Ignácio de Rodrigues (comerciante), José Loureiro Bexiga (comerciante), Bernardino de Paiva Fonseca (tabelião), Francisco Vieira de Oliveira e Silva (promotor público), Dario Luiz da Costa (comerciante), Américo Saint’Clair de Castro (farmacêutico) e José Augusto de Paiva Teixeira (comerciante). Dada a deficiência de documentos, muitos fatos ficaram no plano das conjecturas. Por exemplo: onde foi feita a reunião inaugural? Quem dirigiu os trabalhos? Quem escolheu os primeiros a serem iniciados? O primeiro presidente da Loja foi o farmacêutico Américo Saint’Clair de Castro, figura importante na história do Município: foi Delegado Municipal, Vereador, representante do Fisco Estadual e mais muita coisa. Sua farmácia ficava no início da rua Augusto César, esquina com a rua Barão de Camargos, em oposição ao prédio escolar que lá existe. Castro fez a primeira iniciação organizada pela própria Loja no dia 2 de novembro de 1896, admitindo os novos irmãos: Amando Santos (advogado e jornalista), Modesto do Egypto (comerciante), Francisco Emílio de Araújo (tabelião), Antônio Marques Guerreiro Neto (comerciante) e Alberto de Almeida Pedrozo (comerciante do Rio de Janeiro). Nestes cento e vinte e três anos, a Loja Maçônica Luz e Caridade abrigou em seu templo as mais expressivas personalidades locais das áreas política, cultural, econômica, artística, social, pessoas de nacionalidades diversas como russos, americanos, japoneses, ciganos, espanhóis, italianos, austríacos, gregos etc etc... das mais variadas profissões, sem qualquer discriminação. Bem mais de mil obreiros. De seu quadro saíram os criadores diretos ou indiretos das demais Lojas que existem na cidade e da grande maioria das Lojas do Triângulo, Sul de Goiás e até do Mato Grosso. As primeiras Lojas criadas em Uberlândia, foram a Seis de Junho, a Acácia do Triângulo e a Cláudio das Neves. Hoje, Uberlândia possui mais de trinta lojas.

Instalada atualmente à avenida Cesário Alvim, 606, a Luz e Caridade possui o maior quadro de maçons do Estado de Minas Gerais e o segundo do país.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 

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