19/11/2019 às 07h55min - Atualizada em 19/11/2019 às 07h55min

Bondade

MARIÙ CERCHI BORGES | PROFESSORA

Dos sentimentos humanos, a bondade, pela sua benevolência, costuma ser conceituada como o mais nobre desses sentimentos. Tenho me encontrado frequentemente com a bondade e, a cada encontro, acrescento um pouco mais do meu entendimento à dimensão altruísta desse sentimento. Altruísta, sim, pois inteiramente debruçada sobre esse lado humano, cultivado, cuidadosamente, esferas intimas do coração. Explicar ou teorizar a bondade é tarefa difícil principalmente por esbarrarmos na sua transcendência. 

Sei que a bondade se diferencia de outros sentimentos nobres, por exemplo, ela não é gentileza, talvez até tenha um pouco disso, pois, embora importante, a gentileza cumpre mais com sua função social; a bondade, também, não é solidariedade – pode até assemelhar-se um pouco à solidariedade, mas vai um pouco além. Tem algum conteúdo de compaixão, mas ultrapassa esse sentimento por não ficar estacionada na dor pelo sofrimento alheio. Não deve ser compreendida como a ausência da maldade, admiti-la assim seria diminuir a sua dimensão de entrega. Ela não se explica pela religiosidade, pois existem pessoas religiosas que não são bondosas enquanto outras, não religiosas, são profundamente bondosas. A bondade, portanto, é quase in-definível; contém elementos de todos esses nobres sentimentos humanos, mas, conforme já disse, vai além. Como compreender a bondade? Vejo a bondade como a capacidade que algumas pessoas possuem de desenvolver a sua dimensão humana em conformidade com a dimensão humana do outro. Expressa, portanto, a grandeza da alma por pertencer à esfera espiritual. É generosa, enobrecedora, transcende limites. É pródiga em fazer o bem. O seu existir é silencioso, sem ostentação. “Vasculha” o que o outro precisa e provê. Sendo um atributo do espírito, ela se harmoniza com o Bem maior que é Deus.

No evangelho de Lucas, na parábola do Bom Samaritano, Jesus explica, passo a passo, os caminhos da bondade. Nessa passagem, o Samaritano não fica paralisado na compaixão - faz o que precisa ser feito: acolhe o enfermo, derrama azeite e vinho sobre os seus ferimentos, leva-o a uma hospedaria, deixa-lhe recursos para as despesas comprometendo-se que, ao voltar da sua viagem, pagaria ao estalajadeiro tudo o que excedera ao valor deixado por ele. Assim é a bondade- irradiante no seu esplendor.

Lamentavelmente, os meios de comunicação raramente mostram gestos de bondade, ao contrário, o que costumam fazer, é divulgar, para o mundo todo, detalhadamente, toda a malvadez que o ser humano é capaz de praticar.  No entanto, indiferente a tudo isso, sem se preocupar com a ostentação, lá, no mais recôndito da alma humana, a bondade, através do amor oblativo, continua a acontecer.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 

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