05/11/2019 às 08h01min - Atualizada em 05/11/2019 às 08h01min

Vilela e Araporã

ANTONIO PEREIRA

Fernando Alexandre Vilela de Andrade nasceu em 30 de outubro de 1873, em Canápolis, à época distrito de Monte Alegre de Minas. Era filho de Antônio Alexandre Vilela de Andrade e Rita Hermelinda Vilela de Andrade. Seu pai foi Agente Executivo (prefeito) de Monte Alegre e trouxe o espiritismo para a cidade, de onde veio para Uberabinha.

Alvorada, distrito que ainda não existia, ficava para cá da ponte Afonso Penna. Era o ponto final da estrada que Vilela idealizara e que construíra com Paes Leme, a partir de Uberabinha. O lugar começa a crescer com a chegada do Vilela e sua estrada. Lá se chamava “Corguinho” e só tinha uma casa, de José Honório de Castro. Algum tempo depois foi rebatizado como Alvorada, um belo nome que sugere o nascer do dia.

Depois que chegou com sua estrada, que era a primeira estrada para veículos automotivos construída no Brasil, mandou construir a segunda e a terceira casas. Montou uma fazenda para a sua empresa, Companhia Mineira Auto Viação Intermunicipal, que foi a primeira firma construtora de estradas de rodagem no país. Nela produzia açúcar mascavo, rapadura, a famosa pinga “Paratudo” e o álcool que usou nos seus veículos durante a crise da Primeira Grande Guerra. Manteve olaria que fabricava tijolos e telhas. Instalou armazém a varejo e atacado. Vendia sementes, sal, cereais, calçados, tecidos e as coisas do varejo. Trouxe operários e encarregados para a fiscalização da cobrança do pedágio da rodovia com suas famílias que abrigou em casas que construiu. Além dessas atividades que promoviam o desenvolvimento do lugar, Vilela conseguiu convencer os empresários da companhia de luz de Buriti Alegre a colocar energia no povoado. Fez um contrato com a companhia para o fornecimento por durante dez anos, depois prorrogou por mais dez.

Começou a surgir um problema de comunicação: havia em Goiás outra comunidade chamada Alvorada. Era comum correspondências de uma ir parar na outra. A solução seria uma delas mudar de nome e Fernando Vilela sugeriu que fosse Araporã para o seu distrito. Porque Araporã é alvorada em tupi. Apareceram outras sugestões, mas nenhuma foi mais inteligente e apropriada.

Araporã teve outros pioneiros: Rufino Mariano e Fulgêncio Cattonio Tolentino. Rufino foi quem nomeou o local de “Corguinho”. Ele e Fulgêncio compraram terras de Tonico Batista e colocaram o nome de “Alvorada” no lugar. Foram, ao lado do Vilela, os primeiros a construírem casas. Foram eles que fizeram o primeiro loteamento da cidade. Com uns dois anos de atividades, resolveram vender tudo para o Fernando Viela.

A primeira escola de Araporã saiu por interferência do Vilela junto aos administradores de Tupaciguara. Araporã era distrito de Tupaciguara. Era intendente municipal o sr. Gabriel Felipe de Faria que nomeou a srta. Delfina Domingues como sua primeira professora. A casa da professora mais a ampla sala de aula foram construídas pelo Vilela.

Já idoso, Vilela dissolveu sua empresa e vendeu sua fazenda. Recolheu-se a Uberlândia, mas volta e meia ia a Araporã matar saudades. Visitava ex-empregados, amigos, e perguntava por outros que não encontrava. Geralmente era conduzido pelos sobrinhos Tonico e Eraldo Vilela. Faleceu em Uberlândia no dia 9 de novembro de 1960, com 87 anos de idade.

Em Araporã não existe nem uma pinguela com o nome dele. Ingratidão, gente.

Fonte: Teriovaldo Marques

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.






 

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