18/10/2019 às 08h45min - Atualizada em 18/10/2019 às 08h45min

Decidir

CELSO MACHADO

Por mais óbvio que seja, toda escolha inexoravelmente leva a uma tomada de decisão. Quando vou viajar, para onde vou, como vou, quando tempo vou ficar, com quem vou, o que vou fazer e por aí afora são decisões que eu e todas as pessoas que passam por isso têm que tomar.

E como diz o notável Paulo Gaudêncio, decidir é frustrar. Porque ao fazer uma opção, fatalmente somos obrigados a abdicar das outras. Isso é tão forte que em muitas situações, preferimos simplesmente não escolher. Deixar que o destino faça isso por conta própria. No popular, “ficar em cima do muro”. Porque só erra quem faz, porque quem não faz nunca erra. Em compensação jamais vai acertar.

Quando as escolhas são públicas, muito mais delicado isso se torna. Bem mais confortável, não fazê-lo. É a opção por omitir. Não tomar partido, para não desagradar nenhum lado. Daí que escolha também está muito ligado a assumir consequências. Sei que é mais uma das tantas manias que tenho, mas, me incomoda quando ouço alguém dizer em público que não vai mencionar as pessoas que a ajudaram para não correr o risco de esquecer algum nome.

Faz sentido, só que essa atitude remete também a omitir o devido reconhecimento a quem é merecedor dele. Para mim essa opção ao mesmo tempo que não aborrece ninguém, igualmente não valoriza ninguém.

De uns tempos para cá decidi correr o risco de fazer escolhas e assumir as consequências. Porque me faz bem reconhecer quem é do bem, que tanto fez por uma causa, por uma cidade, para tornar melhor a vida dos outros. Homenagear e elogiar a pessoa em vida. Para ela saber que não foi em vão tudo que fez.

Quando sou questionado se não estou sendo injusto com outras pessoas dignas da mesma reverência tenho a resposta pronta. Se fosse possível homenagear todas que merecem numa única solenidade ela iria demorar o resto da vida. E mais um tempo, além disso.

A questão, para mim, não é justificar porque fulano ou beltrano não foi escolhido, mas sim, se os escolhidos são merecedores do nosso reconhecimento. Até hoje, também porque sempre procuro critérios consistentes e instituições séries para ajudar na indicação, nunca houve dúvida quanto ao mérito dos escolhidos.

Sendo assim, vou continuar fazendo escolhas e promovendo quem merece. Com isenção e seriedade! Aos outros, peço desculpas. Humildemente!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.





 

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