22/09/2019 às 08h05min - Atualizada em 22/09/2019 às 08h05min

No amor e na política

WILLIAM H STUTZ

Este é um escrito atemporal, como estou em fase de mudança não consegui nem lugar para me debruçar sobre o teclado. Mas posso garantir que muita coisa vai nascer dessa história sem fim que é uma mudança. Só quem fez sabe. Tudo está preparado para dar errado, mesmo dando certo. Mas me aguardem. Assim, tomo a liberdade de enviar estes rabiscos escritos há mais de dez anos.
 
Ótimo domingo a todos e espero que até lá o sol dê uma trégua, pois do jeito que está só Palmas no Tocantins ou Teresina do Piauí para fazer tanta quentura . A secura de Atacama acaba e nos joga na cama, a rima não foi proposital. Quem sabe fazer dança da chuva a hora é essa.
 
Humanos e outros bichos melhores, assim como as plantas agradecem. Sem contar a fuligem que, com a mais breve chuva livra de fadiga nossos braços agarrados em vassouras e panos de chão.

Sempre tive antipatia por simpatia. Imagine a cena. Alguém está tranquilo no seu canto, quando de repente: pimba! Outro alguém vai lá não sei onde perto daquilo que ninguém sabe onde fica, e faz (ou encomenda) uma simpatia para o pobre cidadão, seja em busca de seu coração ou de seu voto.

Num encantamento sem encanto, mas que, segundo quem usa ou já usou deste expediente jura que funciona mesmo, lá vai a pobre alma meio que a contragosto, se apaixonar, ou melhor "ser" apaixonado ou votar por alguém que não queria jamais ter por perto nem com "reza braba". Mas penso eu que lá no fundo d'alma o iludido sente que alguma coisa não está certa, aliás nunca esteve desde o estranho, esquisito, insólito começo. Por que cargas d'água, naquele dia em que estava distraído no ponto de ônibus prestando atenção em absolutamente nada, surgiu de um outro nada, que não tinha nada a ver com o seu nada em absoluto, uma pessoa e lhe esbarra meio que sem querer e puxa prosa, gentilmente paga a sua passagem e, de quebra, ainda lhe põe na mão um "santinho" de candidato, pois, por outro motivo ainda mais místico/estranho, tinha perdido seus passes (de ônibus e não da simpatia) e estava mais misteriosamente ainda sem um tostãozinho no bolso. Senta ao seu lado no banco do ônibus como coisa ensaiada, e não foi?

A simpatia não seria um "déjà vu" anunciado? Segue o bonde: Desce num mesmo ponto onde estranhamente jamais tinha descido, pois naquele dia, por estar sem dinheiro (outro sopro do acaso?) resolveu descer dois pontos antes e passar na venda onde tinha caderneta para levar pão e queijo para o lanche da tarde, embora jamais lanchasse às tardes, pois vivia de regime. O outro ainda lhe acompanha até a porta de casa e pronto!

Ficam íntimos, amigos até, e então pouco, aliás pouquíssimo tempo depois, começa o namoro, o noivado, o casamento, os filhos, estranhas afinidades políticas, etc. e tal. Pois mesmo matutando, procurando explicações, estas relações nunca estarão completas, nunca amará ou se vai engajar de verdade.

A vida vai passar devagar seguindo seu rumo, depois de muito repensar, depois de muita terapia de casal, consulta a vidente e aos búzios, conversas de boteco e acompanhar noticiários políticos diariamente, vai engolir sua frustração, vai dar de ombros e mal-humorado resmungar: "Coincidência, azar, mera e trágica coincidência." Coincidência... azar... sei...

A simpatia (se é que funciona mesmo) para conquistar o amor ou o voto de outro é desonesta, não permite escolha, as coisas mágicas são sempre assim, quando usadas para o bem são maravilhosas, mas podem ser perigosamente antipáticas.

É por estas e outras que tenho cá comigo uma certeza imutável: eu tenho a maior das antipatias por simpatias lá isso eu tenho, e como tenho...

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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