10/09/2019 às 09h31min - Atualizada em 10/09/2019 às 09h31min

Vamos falar sobre suicídio? Campanha Setembro Amarelo

ISABELLA CONTINO DE AZEVEDO | PSICÓLOGA

Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção.

do suicídio, criada em 2015, pelo
Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), com a proposta de promover eventos que abram espaço para debates e alertar a população sobre a importância de sua discussão, associando a cor amarela ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, no dia 10 de setembro.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada ano, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida e um número ainda maior de indivíduos tenta suicídio (ver mais na página A6). Segundo dados da OMS, uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio. Em 2016, o suicídio foi a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, estando atrás apenas dos acidentes de trânsito. No Brasil, entre 2007 e 2016, foram registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) 106.374 óbitos por suicídio. Em 2016, a taxa chegou a 5,8 por 100 mil habitantes, com a notificação de 11.433 mortes por essa causa.

O suicídio é um fenômeno complexo de múltiplas determinações que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Embora a relação entre depressão e abuso de álcool seja estabelecida, vários suicídios ocorrem também de forma impulsiva em momento de crise, com um colapso por estresse, problemas financeiros, términos de relacionamento ou dores crônicas e doenças. Além disso, o enfrentamento de conflitos, desastres, violência, abusos ou perdas e um senso de isolamento estão fortemente associados com o comportamento suicida. As taxas de suicídio também são elevadas em grupos vulneráveis que sofrem discriminação e pessoas privadas de liberdade.

A intenção da campanha Setembro Amarelo é de quebrar tabus e compartilhar informações, além de esclarecer, conscientizar, estimular o diálogo e incentivar que as pessoas falem sobre o assunto e orientar que, quem estiver em sofrimento, possa se comunicar com pessoas que estejam ali para ouvi-la, com um ouvido atento, de ajuda, e não de julgamento.

No Brasil, o CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (basta discar 188), email e chat 24 horas todos os dias.

Em 2017, a jovem Aline Bezzoco, 29 anos, do Rio de Janeiro, desenvolveu o aplicativo “
Tá Tudo Bem? que funciona como uma ferramenta de auxílio para a prevenção ao suicídio. Entre as funcionalidades do aplicativo, estão os botões emergenciais: “preciso falar com alguém” em que clicando nele, a pessoa liga automaticamente para o CVV ou para a pessoa que ele cadastrou como contato emergencial, e “preciso de ajuda”, onde a pessoa liga diretamente para o CVV. Além destas, há também ferramentas de meditação, textos sobre mitos do tema e mensagens diárias de apoio emocional.

Mas principais intervenções que demonstraram sucesso na redução de suicídios são a implementação de programas para desenvolvimento de habilidades para lidar com o estresse da vida; identificação precoce; gerenciamento e acompanhamento de pessoas em risco de suicídio; e orientação à mídia sobre uma cobertura responsável.

A atuação de profissionais da Psicologia na prevenção ao suicídio é acolher e ressignificar esses sofrimentos, a partir do entendimento de como são produzidos nas instâncias sociais, históricas e culturais, sempre em diálogo com outros campos do saber. A Psicologia também pode auxiliar como um apoio para o indivíduo em sofrimento enxergar outras possibilidades para suas questões, além de psicoeducar o público em geral, conscientizando as pessoas a ouvir atentamente a queixa de quem sofre, considerando o ouvir uma atitude extremamente importante e que exige empatia, respeito, não julgamento e acolhimento, tendo o sofrimento levado em consideração.

O indivíduo em sofrimento pode dar certos sinais que chamam a atenção de seus familiares e amigos próximos. Quem se mata tenta se livrar da dor, do sofrimento, que de tão imenso, parece insuportável. Comportamentos como isolamento, mudanças marcantes de hábitos, perda de interesse por atividades de que gostava, descuido com aparência, piora do desempenho na escola ou no trabalho, alterações no sono e no apetite, frases como “preferia estar morto” ou “quero desaparecer” podem indicar necessidade de ajuda

Sendo assim, diante de uma pessoa sob risco de suicídio, o que se deve fazer?

1 - Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio.

2 - Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.

3 - Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.

4- Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

A campanha acontece em setembro, mas falar sobre suicídio e sua prevenção é necessário durante todo o ano!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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