23/07/2019 às 08h49min - Atualizada em 23/07/2019 às 08h49min

Uberlândia: capital

ANTONIO PEREIRA

O coronel Carneiro dizia: “Isto aqui ainda vai ser capital!”

Não fomos, não somos, mas chegamos perto.

A ideia de interiorização da Capital Federal aparece na primeira Constituição republicana, 1891, onde se reserva 14.400km2, no Planalto Central, perto de Formoso, para a implantação da futura sede do país. Artur Bernardes, antes de ser presidente da República (1922/26), como deputado federal, sugeriu que a Capital deveria ser no Brasil Central e não no Planalto Central. Quer dizer: ampliou a área incluindo Minas Gerais. Benedito Valadares propõe que seja no Triângulo Mineiro. Outro deputado mineiro, Daniel de Carvalho restringe mais o pedido do Valadares, que seja no pontal do Triângulo.

A Constituição do Getúlio Vargas esqueceu do assunto. Que renasce em 1946 com o retorno da democracia. O povo de Uberlândia fica pesaroso por não ter um deputado federal que indicasse a sua cidade para Capital. Eleito e empossado presidente, o marechal Eurico Gaspar Dutra nomeia uma comissão para escolher o local da futura Capital. Essa abertura açulou o interesse dos povos do centro do país.

O jornal “O Diário”, de Belo Horizonte, publica artigo que sugere que a Capital venha para Uberlândia e relaciona as vantagens que oferece. Estimulados os uberlandenses vão à luta. São artigos sobre artigos justificando a escolha. O Correio de Uberlândia chega ao cúmulo de achar que quantos municípios mais queiram se candidatar, melhor para Uberlândia provar sua superioridade. São correspondências que rolam, entendimentos políticos, instituições variadas lutas por essa conquista.

O deputado goiano Diógenes Magalhães, que já tinha residido em Uberlândia, dono de um hospital, puxou a sardinha para Goiânia. O povo de Uberlândia ficou revoltado. O Congresso Nacional, no entanto, volta a prestigiar o Planalto Central: Minas, Triângulo e Uberlândia fora da disputa.

Nas eleições seguintes, Getúlio Vargas promete trazer a Capital para Uberlândia, dependendo das condições financeiras. Infelizmente o governo do Getúlio foi muito tumultuado e acabou em tragédia. O sonho ressuscita com a decisão do novo presidente, o Juscelino, em construir a nova sede. Todas as forças locais voltam à luta, mas o presidente constrói Brasília onde previu a primeira Constituição: no Planalto Central.

Não chegamos a capital, mas aproveitamos bem estarmos no seu caminho. “Todos os caminhos levam a Brasília”, dizia o presidente, acrescentamos: “mas passam antes por Uberlândia”. Isso nos fez o maior entroncamento rodoferroviário do interior à época. Isso nos trouxe os primeiros asfaltamentos regionais, a Embratel, o micro-ondas, o desenvolvimento da telefonia e a chegada da televisão. O comércio foi estimulado e se fez o maior do país. Chegam as escolas superiores, a Universidade, a energia elétrica, o desbloqueio urbano... e o que mais?

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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