07/07/2019 às 11h00min - Atualizada em 07/07/2019 às 11h00min

Trate-se com amor. Você não precisa de ninguém para “salvá-la” ou fazê-la feliz!

Faça do autoamor a sua bandeira! No fim das contas, pessoas vêm e vão, mas você fica. Trate-se bem. Trate-se com amor.

KELLY BASTOS
Há uma frase que eu li e que gosto muito e que diz assim: “Não há inimigo fora de ti.” Em linhas gerais, talvez o segredo de tudo o que fazemos ou deixamos de fazer na vida não seja tão secreto assim. Está em nós. Em mim. Em você. Naquela pessoa que você encontra todos os dias no elevador, na fila do pão, no ponto de ônibus, na pista de caminhada, mas que você nunca perguntou nem o nome, muito menos olhou dentro dos olhos ao dar um bom dia (será que deu?). Porque é estranho. Esquisito. Desconfortável.
 
Assim, qual a grande sacada de tudo isso? É você a sua própria vilã, ou o seu próprio vilão. É você a sua própria heroína, seu próprio herói. “Não há inimigo fora de ti”, lembra?

Ao mesmo tempo em que essa verdade liberta, ela dói. Porque, às vezes, tudo o que a pessoa precisa é de alguém – ou de alguma coisa – que a livre da angústia de estar simplesmente com ela mesma. Já não experimentamos solicitude.  A roupa bonita e a casa arrumada só fazem sentido se formos receber visita ou se o plano é o de sairmos com alguém. Ir ao cinema sozinha (o), jantar sozinha (o), viajar sozinha (o), passear sozinha (o). Estranho. Solitário. Solidão. Será????

A pessoa só começa a realizar os seus sonhos na vida quando para de condicionar a sua felicidade a qualquer outro lugar que não esteja dentro de si. Quando para de culpar o outro pela forma como se sente ou deixa de se sentir, pelas coisas que faz, ou fazia, ou deixava de fazer, pelas escolhas que, a bem da verdade, eram suas, de mais ninguém.

Ela só começa a efetivamente assumir as rédeas da sua vida quando para de viver de “e se” e de “quando isso acontecer, aí sim…” e passa  a valorizar o agora.

Quando escolhe se amar e se respeitar apesar e justamente por causa dos seus defeitos. Quando aceita e abraça as suas vulnerabilidades. Quando entende que é falha, que não sabe tudo, que não viu tudo, que não vai dar conta de tudo. E que está tudo bem.

Só começa a viver relacionamentos mais saudáveis e mais empáticos com os outros – no amor, no trabalho, nas amizades, nas parcerias – quando aprende a reconhecer e a exaltar o seu valor. Quando começa a querer a se arrumar e a se ver bonita para si. Quando passa a enfeitar a casa e a mesa para si. A cuidar do seu corpo e da sua mente para si. A ser uma companhia querida e agradável para si.
 
Sim, é válido e muito importante se perguntar sempre: “Eu gosto de Fulano (a)? Gosto da forma como Fulano (a) me trata? Gosto de como me sinto quando estou com Fulano (a)? Gosto de como me comporto? Mas, na mesma medida, será que você já se perguntou o quanto você se gosta? De que forma você se trata? De como você se sente quando a sua única companhia é você mesma (o)? De como você se comporta quando ninguém vê?”

Se você não se sente em paz com a sua própria companhia, confortável dentro do seu próprio corpo, preenchida (o) com seus próprios silêncios, verdadeira (o) na sua própria pele, feliz simplesmente sendo você, sem máscaras, disfarces, justificativas e ‘poréns’, dificilmente você será uma boa companhia para alguém ou se sentirá confortável, preenchida (o), verdadeira (o) e feliz dentro do mundo, principalmente quando as necessidades de conexão e de pertencimento, inerentes ao ser humano, são tão grandes a ponto de nos afastar de nós mesmos, da nossa essência, dos nossos valores, das nossas buscas, de quem a gente realmente é.

Seja você a pessoa que você gostaria de ter como melhor amiga, amigo, aquela (aquele) que você sempre deseja estar perto, que a faz sentir-se em casa, que lhe traz paz, que lhe faz o bem.

No fim das contas, pessoas vêm e vão, mas você fica. Trate-se bem. Trate-se com amor. Você não precisa de ninguém para “salvá-la (o)” ou “fazê-la (o)  feliz”.
 
Tudo bem! Ninguém é uma ilha. É na conexão que nos reconhecemos e nos fortalecemos como seres humanos, mas você não precisa de nenhum salvador ou herói que não seja você mesma (o). “Não há inimigo fora de ti.”
 
Faça do autoamor a sua bandeira. Quem se ama de verdade nunca está só.


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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