22/06/2019 às 10h00min - Atualizada em 22/06/2019 às 10h00min

Conscientização da doença falciforme

TÚLIO MENDHES
No último dia 19 comemorou-se o Dia Mundial de Conscientização da Doença Falciforme. Mas não é todo mundo que sabe o que é esse diagnóstico, quais os sintomas, tratamentos, etc. Ressaltando que essa é a doença hereditária mais prevalente no Brasil. Estima-se que de 60 mil a 100 mil pessoas vivam com a doença. Assim quero abordar o assunto de um modo mais “popularizado”.

Para começar, a doença falciforme é causada por uma mudança no gene da hemoglobina. Essa alteração genética diz respeito à hemoglobina anormal, chamada hemoglobina “S”, que é produzida em lugar da hemoglobina normal, a hemoglobina “A”, presente nas pessoas adultas que não apresentam a doença.

A hemoglobina é uma proteína responsável pelo transporte de oxigênio aos tecidos. Ela está presente nos glóbulos vermelhos do sangue, as hemácias, que por sua vez são células flexíveis e arredondadas que transitam por todos os vasos sanguíneos do organismo, sendo encarregadas de levar o oxigênio ligado à hemoglobina. Acontece que quando surgem alterações na hemoglobina podem-se gerar anormalidades nas hemácias comprometendo sua função de transportar o oxigênio. A hemácia muda o seu formato arredondado para o formato de foice, dificultando a passagem de oxigênio. Isso pode causar obstrução de vasos e má circulação do sangue (micro infartos) em diversos órgãos, que desencadeiam crises de dores e comprometimentos progressivos de diversos órgãos. Importantíssimo saber que a Hemoglobina S pode aliar-se a outras anormalidades da hemoglobina, como as hemoglobinas C, D, Beta Talasemia, gerando outras condições, todas elas sintomáticas.

E falando em sintomas, os mais comuns são: anemia, febre, crises de dor, icterícia (olhos amarelos) e risco aumentado de infecções. As crianças menores de dois anos sentem dores e inchaço nas mãozinhas e nos pés. Já nos menores de seis anos, é “comum” o inchaço do baço chamado de sequestro esplênico. Mais tarde, na adolescência e fase adulta, é “comum” a ocorrência de alterações no funcionamento dos pulmões, rins e no coração. Contudo, todos esses sintomas podem ser controlados com o tratamento adequado. Portanto, existe sim a possibilidade de minimizar possíveis sequelas.

Por isso, é extremamente importante a realização do teste do pezinho realizado na triagem neonatal, preferencialmente entre o 3º e o 5º dia de vida. Esse teste é realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Paras as crianças acima de quatro meses e os adultos que não realizaram o teste do pezinho, o diagnóstico é feito através de um exame chamado Eletroforese de hemoglobina.

O tratamento adequado baseia-se na prevenção da doença como manter em dia o calendário de vacinas. Para tratar as crises de dor, é feita a administração de analgésicos e hidratação, podendo ser realizadas em casa ou na unidade de saúde, dependendo da gravidade. Para as demais complicações, a pessoa deve procurar prontamente o serviço de saúde. Lembrando, a doença falciforme pode se manifestar de forma diferente em cada pessoa. Uns tem apenas sintomas leves, outros apresentam sinais e sintomas de maior gravidade que podem reduzir a expectativa de vida.

O SUS oferta gratuitamente opções para o diagnóstico e tratamento, inclusive o transplante de medula. Dentre os medicamentos que podem ser acessados gratuitamente nas unidades de saúde estão: ácido fólico, analgésicos, anti-inflamatórios, quelantes de ferro, imunobiológicos especiais e de antibioticoterapia. Também está disponível o exame preventivo de Doppler Transcraniano que identifica o risco de AVC em pessoas de 2 a 16 anos.

Todos os estados brasileiros possuem pelo menos um centro especializado para atender a pessoa com doença falciforme. É muito importante que tanto as famílias quanto o paciente sejam bem orientados para que todas as possíveis alterações sejam detectadas precocemente para serem tratadas.

Bom, por hoje é isso, até o próximo sábado.

*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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