31/05/2019 às 08h00min - Atualizada em 31/05/2019 às 08h00min

Quando pingo é chuva...

CELSO MACHADO
Reconheço que minha tagarelice mental não ajuda na organização de meus pensamentos, palavras e ideias.

Tenho dificuldade em focar. Com isso acabo “viajando” sem a necessária concentração, sem elaborar um plano de roteiro definido. Para piorar tenho o hábito de fazer associações o que me desviam do raciocínio inicial me levando para outros rumos fazendo com que, ás vezes, até esqueça onde começara.

Ainda assim, especialmente depois que assumi estar “menos novo” tenho chegado lá em muitos projetos que desenvolvo. O tempo, sempre ele, sábio e paciente nos seus ensinamentos nos faz enxergar que a disciplina vai se tornando essencial nas diferentes atividades da nossa vida. Também que rotina não precisa nem deve ser confundida com monotonia.

Recentemente outro fator, este mais convincente ainda, tem me levado a concentrar esforços em um número menor de projetos: a escassez de recursos. Mesmo sendo otimista inveterado a realidade escancara que os tempos estão difíceis. E não devem melhorar tão cedo.

Ficar lamentando nada acrescenta, ou melhor, só aumenta o aborrecimento. Ainda por cima nos desloca de encontrar uma solução. Nesses momentos é lembrar o sábio ditado popular: “a fila anda”. Ficar torcendo por resultado diferente agindo do mesmo jeito, só aumenta a torcida, não a chance de vitória.

Quem atua no segmento institucional, seja ele qual for provavelmente há de concordar comigo da “dureza” de viabilizar empreitadas nessa área. Exercitar e excitar a criatividade ao máximo ajuda, mas não basta: é preciso ir além! Para não desperdiçar energia não dedico tempo em lamentos e reclamações. Pelo contrário, fico analisando, observando o quanto por vezes fui negligente quando os tempos eram de “vacas gordas” como se diz no vocabulário popular.

Se uma porta fecha melhor não continuar batendo nela na esperança de voltar a abrir. Penso que possibilidades melhores podem estar em outras que nunca tivemos iniciativa de procurar. Antes de jogar a toalha quando uma fonte seca, vou a luta com maior empenho. Como gosto de refletir por analogia fico associando com as lições que a natureza oferece gratuitamente.

Quando a chuva chega em excesso causa mais problemas do que benefícios. Os alagamentos, desmoronamentos e outras intempéries não deixam dúvidas quanto a isso. Pelo contrário, chuva mansa que cai suavemente é que aduba o solo e faz germinar as sementes. Taí, nos tempos difíceis que estamos vivendo e que vão durar muito com certeza, não resolve nada ficar chorando. Lágrima não irriga. Melhor é fazer de cada gota, de cada pingo, uma chuva abençoada. E se contentar com isso.

Bom final de semana a todos.


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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