30/04/2019 às 08h35min - Atualizada em 30/04/2019 às 08h35min

Oficina Cultural: bem tombado

ANTÔNIO PEREIRA
O complexo arquitetônico da Oficina Cultural constituído de uma residência, um escritório e um pátio com um correr de salas, foi construído para abrigar a família do diretor gerente da Companhia Força e Luz de Uberabinha, Clarimundo da Fonseca Carneiro, e para escritório da firma. O escritório ficava imponente na esquina da praça Clarimundo Carneiro com a rua Tiradentes. Um sobradão elegante. Depois de um rápido jardim interno vinha a casa do Clarimundo, construída no mesmo padrão do escritório. Consta que os construtores foram o Cypriano del Favero e o Fernando Vilela.

No Natal de 1909, a energia chegou a Uberabinha pelas mãos dos Carneiro (o coronel e os filhos). Desde então, Clarimundo foi o diretor-gerente. Em 1926 mandou construir o escritório na praça, com dois pavimentos e logo em seguida a sua residência pouco abaixo dos escritórios. Aí ficou até 1929, quando a empresa foi comprada pela Companhia Prada de Eletricidade. Os imóveis entraram no negócio. Os gerentes da Prada residiram onde morou o Clarimundo.

A Prada permaneceu fornecendo energia à cidade, mas não acompanhou o seu desenvolvimento. E isso causou o emperramento do progresso. Instituições, políticos, empresários, jornais entraram numa briga ferrenha com a Prada para conseguir aumentar a produção, sem qualquer resultado. A ponto de Innocêncio Rocha, pai da saudosa pianista Nininha Rocha, organizar uma procissão de velas em plena avenida Afonso Pena, à noite, em represália aos constantes cortes de energia.

Por fim, por trabalho de Rondon Pacheco, a Cemig encampou a Prada e Uberlândia foi incluída no circuito energético nacional e os cortes acabaram. Para se ter uma ideia do sacrifício de Uberlândia, amarrada na falta de energia, quando a Prada foi encampada, produzia a mesma quantidade de energia que produzia a companhia de força e Luz dos Carneiro.

Daí para frente todo o complexo imobiliário serviu como escritórios da Cemig até quando ela o desocupou. Ficou algum tempo desocupado até que a Prefeitura o adquiriu em 1995 para ser ocupado com as instalações da Oficina Cultural da Secretaria Municipal de Cultura para atividades de difusão cultural nas mais variadas formas.

É interessante registrar que, no dia 11 de julho de 1961, quando faleceu Clarimundo da Fonseca Carneiro, às 20 horas, a pedido da Associação Comercial, por seu presidente Oswaldo Oliveira, a Prada desligou suas máquinas por um minuto em homenagem ao cidadão que, com seu pai e seus irmãos, trouxe a energia elétrica para Uberlândia.
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