07/12/2018 às 07h51min - Atualizada em 07/12/2018 às 07h51min

Viagens por mim nas Geraes

CELSO MACHADO
Adoro fazer o trabalho que faço: ouvir, registrar e divulgar histórias. Conhecer gente e lugares. Principalmente conhecer lugares por meio de pessoas. Parece redundância, mas não é esse o sentido que desejo passar. E sim como é diferente você ir a um local, pode ser num país distante, em outro estado, outra cidade até mesmo nos distritos e bairros de onde voce vive. Há uma enorme distinção entre olhar com seus próprios olhos e perceber pelo comentário de quem vive lá a essência daquilo que apenas estamos observando.

Costumo dizer que não é apenas ver, é sentir. Por isso é que não gosto nem um pouco de viajar com pressa, com tempo marcadinho para voltar. Porque a gente tem o tempo nosso, mas o dos outros é deles. E os melhores momentos, as sensações e experiências mais agradáveis normalmente acontecem acidentalmente. Sem estarem programadas, previstas. O acaso costuma ser o melhor guia de todos.

Nessas minhas recentes andanças produzindo uma nova temporada da série “Simplesmente Minas” isso tem sido bastante frequente. Descubro personagens que não estavam programados constantemente. Apenas conversando e dando atenção para as pessoas. Perguntando, aproximando, convivendo. Como diria o mineiro autêntico, “achegando”.

A cada viagem vou confirmando o que sempre imaginei: como o mineiro é gente boa e como Minas é bela! Seria hipocrisia dizer que não faço nem gosto de conhecer outros países. Suas belezas, seus hábitos, sua gente. Mas posso dizer com toda sinceridade que me encanta conhecer melhor o interior do meu estado. Principalmente sua gente simples, seus artistas singelos, suas belezas e encantos. Seus causos e relatos.

Isso é tão forte que virou a marca do programa: viagens por mim nas Geraes!

Realmente em cada novo lugar em cada nova pessoa que conheço, cada história nova que ouço e registro é também uma viagem por mim. Pela minha essência, pela minha alma mineira. Quem pensa que este tipo de trabalho não cansa está totalmente equivocado. Cansa sim. E não é pouco. Dar atenção autêntica, concentrar de verdade nos relatos e conversas. Puxar preciosidades escondidas na singeleza do conhecimento popular exige muito. Estar atento o tempo todo ao oculto do aparente, seduzir figuras simplórias a compartilhar suas experiências e conhecimentos cansa.

Só que tem uma diferença enorme de tantos outros cansaços, esse não aborrece, muito menos exaure. É o tipo do cansaço que revigora. Que depois de uma pausinha qualquer já está reposta a energia para começar tudo de novo. Em novos lugares e novas pessoas. Ah e também desperta uma vontade incontida de não guardar apenas para a gente, tudo que sentimos e descobrimos.

Que o digam os parentes, amigos, colegas. Vocês todos.

Muito bom viver assim. Maravilha viajar por mim nas Geraes!
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