18/10/2018 às 10h48min - Atualizada em 18/10/2018 às 10h48min

Instrutor, professor, educador

MARIÙ CERCHI BORGES | PROFESSORA
De uma certa forma, guardadas as devidas proporções, tanto o instrutor, como o professor e o educador cuidam da arte de ensinar. Mas se aprofundarmos no "fazer" de cada um, constataremos as distâncias afetivas, efetivas, intelectivas e funcionais que os separam.

O  INSTRUTOR  é o profissional que tem ,como objetivo final do seu trabalho, preparar o aluno para que ele alcance a proficiência do seu aprendizado; estar apto, portanto, é o objetivo final que, de uma certa forma, já se encontra embutido na própria escolha do aprendizado em questão. Quando alguém procura um instrutor já espera, de antemão, que, ao final do tempo estabelecido para aquele tipo de aprendizado, ele esteja apto, preparado para executar a atividade a que se propôs, tal seja, chegar, da melhor maneira possível, à excelência de sua performance

O PROFESSOR (que deveria ser educador) é um profissional do ensino-aprendizagem. Um funcionário, quase sempre ligado a uma instituição do Estado, normalmente mal pago e, quase sempre, limitado à espera do esmirrado salário ao final do mês. Desta forma, o professor, normalmente, se desdobra em vários turnos de trabalho o que, de um certo modo, o incapacita a se tornar um bom profissional. Versado em alguma área do conhecimento, o professor é aquele que transmite conhecimento; trata-se, normalmente, de um profissional “avaliado” pela própria excelência do seu fazer. Assim sendo,  a “aprovação” do seu trabalho em sala de aula, de uma certa forma, fica creditada à responsabilidade do próprio aluno.

Pertencendo a uma instituição de ensino, o professor assina ponto, contabiliza créditos para o aluno ser ou não aprovado ao final do período, registra presenças, usa recursos didáticos para transmitir o seu saber. Espera-se que o professor seja, pelo menos, um conhecedor do conteúdo que ministra. Espera-se, ainda, que o professor seja um educador. Ensinar e educar não são atividades distintas mas, infelizmente são “n” os fatores que interferem no bom desempenho do professor: carga horária excessiva, baixos salários, falta de recursos para o seu próprio aprimoramento, falta de reconhecimento e valorização do seu trabalho, muitas vezes vindos da própria instituição em que se encontra inserido. Frente a tais dificuldades, infelizmente, são raros os professores capazes de conciliar à sua cátedra a difícil “Arte de Educar”.

EDUCADOR. Como defini-lo? O que se entende por educar?
Pela etimologia da palavra, “educere”, do Latim, significa aquele que cria, que faz brotar,  que desenvolve, que capacita, que constrói. É aquele que abre caminhos, horizontes,  atalhos, que rompe limites, desperta para a mudança. Nada fica estagnado e pronto nas mãos do educador, isso porque aquele que abre caminho o faz por acreditar na capacidade do aluno de mudar estruturas, estabelecer mudanças, questionar dogmas. Ou seja, "educere" equivale, no seu sentido literal, a fazer surgir. O verdadeiro educador prepara o aluno para o grande salto qualitativo, para a  caminhada em direção ao cumprimento do seu próprio destino, para assumir a sua liberdade e, conforme nos lembra Henri Boulad "ser livre é comprometer-se com a liberdade e a liberdade é um risco, pois são  as nossas livres  escolhas  que definem o caminho a seguir.”

O segredo, portanto, de todo processo educativo, reside na capacidade de cada um se perceber como agente de transformação da realidade que aí está. No meu modo de ver, a frase que ilustra o significado do EDUCADOR está resumido no que nos diz a escritora Lya Luft:
"Conheço pessoas ocas que um dia foram crianças plenas da semente do seu destino".

O verdadeiro educador jamais permitirá que "a semente plena do seu destino" seja enterrada viva, pelo medo de florescer.

Sabendo e acreditando na riqueza e na grandeza do trabalho do PROFESSOR: Parabéns Professores pelo nosso dia - 15 de Outubro de 2018.
 
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