23/02/2018 às 09h08min - Atualizada em 23/02/2018 às 09h08min

Voto: instrumento de mudança

ADRIANO ZAGO* | LEITOR DO DIÁRIO

O ano de 2018 no Brasil será palco de uma concorrida pelo poder com as eleições para as Câmaras Estaduais e Federal, Senado, Governos Estaduais e a Presidência da República. Em meio a uma crise política, sem precedentes, na história política do país recheada de denúncias de corrupção e com políticos consagrados nas urnas presos, é de se esperar um cenário extremamente desfavorável à democracia. Campanhas já circulam nas mídias incentivando os votos nulo e branco ou simplesmente o absenteísmo às urnas. É a antipolítica em marcha tendo como mote que ‘todos os políticos são iguais e que o voto não passa de mais uma obrigação’.

Entretanto, a antipolítica não deve ser a melhor forma para a mudança do cenário político brasileiro. As eleições são a maior forma de expressão popular e é através delas que uma sociedade cumpre os ideais republicanos e consolida a democracia. Por outro lado, o voto permite escolher governantes que têm como função a elaboração e a execução das leis. Essas por sua vez repercutem e interferem diretamente na gestão do país e, sobretudo na vida de toda a população. É nesse sentido que a escolha dos governantes é condição imprescindível para os rumos que a nação irá tomar.

Faz-se necessário relembrar que a democracia é uma conquista recente, data do final do século XVIII e consolidou-se ao longo dos séculos XIX e XX. As civilizações antigas, regidas por patriarcas, faraós e imperadores deram lugar ao absolutismo dos reis e suas dinastias que governaram a ferro e fogo suas populações. Tendo como suporte a escravidão e a servidão de milhões de pessoas espalhadas em todo o mundo, sem nenhum direito de oposição ou escolhas, esses regimes políticos geriram a humanidade por séculos.

Portanto, mais do que uma obrigação, o voto é um ato de cidadania que deve ser valorizado e ocorrer de forma consciente. Para tanto, faz-se necessário romper com a ideia de que todo político é igual e objetiva a defesa de interesses pessoais ou de grupos que lhe dão aporte. Existem políticos corruptos e incompetentes mas também há aqueles que têm responsabilidade  com os princípios republicanos  e, fazem jus  ao Parágrafo Único do Artigo 1º da Constituição Federal: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

É neste sentido que de mero eleitor ao cidadão politizado há que se construir  por meio de uma Educação para uma Cidadania Política, uma participação proativa contínua de todos os brasileiros e brasileiras, no processo de escolha de nossos representantes. A negligência, em grande parte da população votante leva a uma penalidade quase que natural da sua não participação nos processos políticos, trazendo consequências catastróficas, exemplificadas na falta de segurança, empregos, atenção à saúde e educação em que se encontram a grande maioria dos Estados e Municípios brasileiros.

Lugar comum na política brasileira são os interesses de classes dominantes ou de grupos e indivíduos a projetos desmedidamente ambiciosos e nada republicanos, prevalecendo em detrimento dos reais interesses de populações economicamente mais vulneráveis que necessitam de políticas públicas eficientes, consagradas na Carta Constitucional de 1988 e não cumpridas.

O voto como forma de empoderamento torna as eleições de 2018 no momento fundamental para uma profunda mudança no sistema político brasileiro. É inadmissível que em uma República Democrática de Direito os interesses privados sobrepujem o bem comum. Essa é a nossa responsabilidade para as gerações futuras e na construção de um país mais justo.
(*) Advogado e vereador
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