18/06/2020 às 13h34min - Atualizada em 18/06/2020 às 13h34min

Procura por testes de coronavírus dispara em Uberlândia

Pacientes da rede pública relatam dificuldades em fazer testes rápidos; especialista explica diferença entre exames

DHIEGO BORGES
A média de testagem, segundo a Prefeitura de Uberlândia, é 17 vezes maior em relação a Minas Gerais | Foto: PMU/Divulgação
A testagem para Covid-19 na cidade é de 2.264 testes aplicados para cada 100 mil habitantes. A média, segundo a Prefeitura de Uberlândia, é 17 vezes maior em relação a Minas Gerais desde que o Município passou a adquirir os chamados testes rápidos. Por um lado, a procura pelos exames vem crescendo nos laboratórios nos últimos dias. Do outro, alguns pacientes reclamam que não conseguem fazer os testes na rede pública mesmo após terem contato direto com infectados. 

A reportagem procurou dois laboratórios particulares, na tarde desta quarta (17), para avaliar a demanda de testes de Covid-19 em Uberlândia. De acordo com o responsável técnico pelo laboratório Sabin, Fabrício Cazorla, a procura pelos exames tem crescido constantemente e o número de resultados positivos saltou de 12% para 30% nos últimos meses. 

De março até agora, o laboratório já realizou aproximadamente 7,6 mil exames de Covid-19, incluindo testes rápidos, exame de PCR e o teste sorológico. 

O laboratório Check-Up, que é conveniado ao Município e também foi procurado para falar sobre a quantidade de testes já realizados e número de testes positivos, não respondeu aos questionamentos. Em nota, a empresa informou que encaminhou à Secretaria Estadual de Saúde as informações relativas aos testes Covid-19.  

REDE PÚBLICA
O Diário de Uberlândia tem recebido nos últimos dias reclamações de pacientes que procuraram as unidades de saúde municipais para realizarem os testes, porém o serviço foi negado. 

Em um dos relatos, uma moradora do bairro São Jorge disse que o filho apresentava sintomas como febre alta e dor de cabeça e que o médico havia solicitado o exame, além de indicar a quarentena de 14 dias. A família então foi até a Unidade de Atendimento Integrado (UAI) da região, sendo informada que o teste deveria ser agendado.

 
“Eles tiveram a capacidade de marcar para julho o exame. É o cúmulo do absurdo chegar em uma unidade de atendimento e ter que agendar um exame de Covid para o mês que vem”, disse a seguidora. 

Um motorista de aplicativo também contou que teve contato com uma pessoa que testou positivo para a doença e procurou a UAI Pampulha relatando a situação. Os agentes então informaram que ele não poderia fazer o teste porque não apresentava sintomas. 

A Prefeitura de Uberlândia esclareceu que os testes rápidos são agendados com pessoas que tiveram contato com casos confirmados de Covid-19 e que o agendamento tem como objetivo reduzir as chances de falsos negativos. 

Disse ainda que os testes rápidos são realizados em casos de contatos diretos de positivos (quem vive na mesma residência), sintomáticos com comorbidades (principalmente com doenças respiratórias de base), idosos sintomáticos, grávidas sintomáticas, idosos de casas de repouso, sintomáticos moderados (avaliação direta do médico que atender o paciente. 

A respeito da contraprova, a Prefeitura disse que o Ministério da Saúde não recomenda e não exige contraprova e que, havendo teste positivo (rápido ou PCR), o mesmo já deve ser notificado como positivo. O Município não informou, no entanto, a relação do número de testes feitos e quantos atestaram positivos.

Entenda a diferença entre os testes
Segundo Fabrício Cazorla, os chamados testes rápidos apresentam um maior número de falsos positivos e negativos e não possuem precisão para diagnóstico definitivo da doença. Esse tipo de teste, que além dos laboratórios, também é encontrado em farmácias, é indicado para acompanhamento quando o paciente já foi identificado com a doença. 

 
“O teste rápido identifica presença de anticorpos e avalia a resposta imunológica do paciente. Quando a pessoa é infectada, o organismo cria uma resposta imunológica e essa quantidade é detectada pelo teste, o que leva de duas a três semanas. Assim, o teste rápido somente consegue detectar o vírus de duas a três semanas. Apesar de apresentar resultado praticamente na hora, como positivo ou negativo, ele é apenas quantitativo. Então, muitas vezes, a pessoa pode estar doente ou transmitindo para outras pessoas e o exame apresentar negativo”, explica. 

Em relação à precisão dos testes para a Covid-19, o exame de PCR e teste sorológico são os mais indicados. Na fase aguda da doença, quando o paciente apresenta sintomas, o chamado PCR, que faz uma pesquisa por DNA, permite amplificar o material genético e identificar se o paciente está infectado.  

De acordo com Fabrício, se o resultado for positivo não há muita dúvida, pois a partir do segundo dia já é possível essa identificação. Além do PCR, o teste sorológico, ou exame de sangue, que apresenta resultado de um a dois dias, também oferece uma informação mais precisa, com eficácia entre 96% a 99%. 

A indicação é que, caso o paciente apresente sintomas gripais como febre, coriza, ou falta de ar, procure uma orientação médica para a avaliação do melhor exame a ser realizado para detecção da doença. 

Ainda segundo o responsável pelo laboratório, os exames que apresentam falso positivo ou falso negativo podem aparecer por diversos fatores. “No caso do falso negativo, por exemplo, muitas vezes a quantidade de anticorpos é pequena e o sistema imunológico da pessoa ainda não identificou os sintomas. Assim, o paciente acredita que está com sintomas de outras doenças, mas na verdade está com coronavírus”, destacou. 



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