18/02/2018 às 05h03min - Atualizada em 18/02/2018 às 05h03min

Financiamento de veículos vira plano de fidelização

Parcelas mais leves e entrada menor são alguns dos atrativos oferecidos

EDUARDO SODRÉ | FOLHAPRESS
Em plano da Citroën, Aircross Shine (R$ 62.990) tem entrada de 30% e 30 parcelas de R$ 1.208 / Foto: Folhapress/Divulgação

Planos de financiamento com parcela residual -que pode chegar a 50% do valor do carro- viraram tendência. As montadoras têm usado essa estratégia para fidelizar clientes, com a promessa de valorizar o carro na troca por um novo sem que seja preciso quitar a prestação final.

A opção é recente: a Toyota, primeira montadora a oferecer de forma ostensiva essa modalidade de crédito, lançou seu programa de fidelização, chamado Ciclo Toyota, em agosto de 2016.

"A participação do Ciclo nos financiamentos de automóveis realizados pelo Banco Toyota é crescente, saltando dos 45% entre fevereiro e abril de 2017 para 60% em dezembro do mesmo ano. É um avanço considerável", diz Vladimir Centurião, diretor de vendas e marketing da Toyota do Brasil.

A opção tem atraído o público por exigir uma entrada menor (a partir de 20% do valor do bem) e ter prestações mais suaves, mas há exigências que podem gerar problemas no futuro.

A Toyota oferece como vantagem o valor mínimo de recompra, prefixado em 85% do calculado na tabela elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Contudo, o carro deve ter rodado menos de 15 mil quilômetros por ano e a pintura precisa ser original.

Itens instalados fora da rede concessionária também geram a perda do benefício.

"Esse tipo de plano exige que o consumidor preveja como estará sua situação financeira ao fim do financiamento, mas muita coisa pode acontecer no período, como necessidade de reparo na lataria, além dos demais custos envolvidos na posse de um veículo", diz a economista Ione Amorim do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

A economista alerta também para a provável alta dos juros caso seja necessário refinanciar a parcela final. "Além de perder os benefícios, o cliente corre o risco de encontrar prestações com taxas maiores do que antes para quitar um bem que já perdeu valor de mercado”.

Em vez de exibir o valor residual em seus contratos de fidelização, a Citroën optou por já expor o parcelamento da última prestação.

Ao comprar um Aircross Shine (R$ 62.990) com entrada de 30%, o cliente irá pagar 30 parcelas de R$ 1.208. Ao término, poderá optar pela troca por outro carro e novo financiamento, mas se quiser continuar com o automóvel, terá mais 12 prestações de R$ 1.914 pela frente.

SEM TROCA

Para ter acesso às vantagens previstas no contrato, o cliente deve estar disposto a continuar comprando carros da mesma montadora. Ou seja, não é uma opção interessante para quem gosta de trocar de marca com frequência.

Caso desista do plano no meio do caminho, o consumidor perderá os benefícios previstos, como a garantia do valor de recompra. Nesse momento, os procedimentos serão como o de qualquer outro tipo de parcelamento.

"O mais comum é que os financiamentos de veículo ocorram na modalidade CDC [Crédito Direto ao Consumidor], garantido por alienação fiduciária. Nessa hipótese, a legislação prevê que, com o distrato, o veículo deve ser devolvido ao financiador, ocorrendo a liquidação antecipada do débito", diz André Muszkat, sócio do escritório CSMV Advogados.

Se isso ocorrer, o consumidor terá de negociar o carro com lojistas, que tendem a pagar pouco quando percebem que o comprador está precisando se livrar do bem.
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