12/03/2022 às 08h00min - Atualizada em 12/03/2022 às 08h00min

COVID-19: Um balanço final?!

JOÃO LUCAS O'CONNELL
A análise dos gráficos de disseminação do novo coronavírus evidencia que a sua velocidade do contágio vem caindo significativa e progressivamente desde o início de fevereiro. O ritmo de transmissão caiu e em praticamente todos os estados do país, incluindo no Triângulo Mineiro! Mesmo nesta última semana, após as aglomerações e festividades do Carnaval espalhadas pelo país, o número de novos casos continuou em queda. 

Como discutimos nas últimas semanas, a queda progressiva dos números se deve a vários fatores. Em especial, ela pode ser atribuída à significativa diminuição do número de pessoas suscetíveis a desenvolverem a infecção pelo vírus. No último ano, mais de 80% da população de nossa região se vacinou com, pelo menos, duas doses de vacina contra a COVID. Esta imunização garante boa defesa imunológica contra a infecção por inúmeras variantes do novo coronavírus (menor contra a variante Ômicron) e boa defesa contra formas graves da doença, qualquer que seja a variante envolvida. 

Desde o início da pandemia, cerca de 30 milhões de brasileiros foram oficialmente diagnosticados como infectados. Estima-se que o número real de contaminados seja, pelo menos, 5 vezes maior do que o oficialmente registrado. Assim,  provavelmente, mais de dois terços da população se contaminou pelo coronavírus ao longo dos últimos dois anos. Como os estudos mais recentes têm mostrado que esta dupla exposição (vacina + infecção pelo vírus) leva a uma defesa imunológica muito boa aos indivíduos, estamos muito esperançosos de que o fim da pandemia esteja realmente muito próximo. Apesar de que a contaminação de uma menor parcela da população vai continuar acontecendo por um tempo, o número de infecções diagnosticadas vai ser baixo e não suficiente para chamar a nossa atenção para continuarmos discutindo o problema.  Temos tudo para sair desta! 

Ao longo dos últimos dois anos, foram muitas polêmicas em relação à pandemia: A pandemia vai chegar por aqui? O clima quente não vai nos proteger? Quem tomou a BCG vai se infectar? E quem tem bons níveis séricos de vitamina D? E quem tomar Ivermectina? O isolamento social vai quebrar a economia? Distanciamento social ajuda mesmo? E o uso de máscaras? Vale a pena construir hospitais de campanha? 

Mesmo em relação a medidas preventivas e terapêuticas, foram muitas discussões. Mesmo entre médicos e cientistas. Em caso de infecção, alguma medicação, administrada na fase precoce, pode ajudar? Cloroquina? Azitromicina? Ivermectina? Zinco? Colchicina? Dutasterida? Vitamina D? Corticóide? A intubação orotraqueal deve ser realizada na fase precoce? E a ventilação não invasiva, é benéfica? Os anticoagulantes: devem ser usados? E as vacinas: trazem mais benefício ou riscos? É justa a cobrança do passaporte vacinal? As vacinas e o passaporte vacinal devem ser obrigatórios? 

Sem dúvidas, foram muitas e muitas polêmicas. A maioria delas causadas pela incrível facilidade para a divulgação de ideias (verdadeiras ou falsas) pelas redes sociais, pela internet e pela falta de comprometimento de boa parte da mídia com as fontes mais fidedignas de informação. Vivemos uma pandemia histórica. Mesmo não sendo a pior da humanidade (no sentido de perda de vidas e transtornos), foi aquela que a nossa geração vivenciou. Mais do que isto, vivenciou de maneira muito intensa porque fomos muito expostos às notícias sobre ela. Ela também nos obrigou a mudanças importantes em nosso estilo de vida e nos trouxe uma série de sequelas comunitárias graves: perda 650.000 vidas de brasileiros, de entes queridos, de familiares, sem contar as perdas e inseguranças financeiras geradas... Como se não bastasse, muitos dos sobreviventes ainda evoluíram com sequelas com as quais terão que conviver, pelo menos por um tempo. As sequelas da doença vão desde perda de olfato e paladar (que diminuem bastante a qualidade de vida), como outras doenças, diminuição da capacidade física, da capacidade cognitiva e de transtornos mentais. 

Torçamos para que esta fase negra de nossa história tenha passado. Já é hora de pensarmos em voltar ao nosso “novo normal”.  É hora de fecharmos o balanço, contabilizarmos os prejuízos, arrumarmos a casa e partirmos para o restante de nossas vidas pós pandemia. Se fosse sem outras nuvens negras (como guerras) seria ainda melhor. 


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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