26/02/2022 às 08h00min - Atualizada em 26/02/2022 às 08h00min

E aos poucos, a vida vai voltando ao normal…

JOÃO LUCAS O'CONNELL
Com o avanço da vacinação, e a queda importante e recente do número de casos, internações e óbitos por COVID, a queda progressiva do número de novos casos de COVID, vamos, aos poucos, retomando todas as nossas atividades presenciais. Com o retorno progressivo das atividades comerciais, escolares e das festividades, a rotina fica cada vez mais próxima do que se conhecia como normalidade antes da pandemia. A sensação é de ter a vida voltando, da forma como a conhecíamos antes da covid-19 chegar ao Brasil, há quase dois anos.
 
É claro que nem tudo se normalizou ainda. O Carnaval grandioso a que estamos acostumados foi cancelado mais uma vez. Não teremos desfiles de grandes escolas, nem blocos oficiais na rua, nem nossas festas nos clubes e ruas das cidades do interior. Alguns setores, como as universidades públicas, até hoje não retomaram suas atividades normais… Nós continuamos tendo que usar máscaras, continuamos cheios de cuidados para evitarmos aglomerações e ainda muito cuidadosos com a higiene manual e respiratória. Provavelmente, ainda viveremos um tempo convivendo com estes cuidados.
 
Mesmo com níveis de casos mais controlados e em queda, o estresse e insegurança gerados pela pandemia ainda irão dificultar a nossa volta ao “novo normal” por um tempo. Em 2017, a OMS (Organização Mundial de Saúde) apontou que o Brasil era o país mais ansioso da América Latina. A pandemia acentuou o que já era muito alto. Como muitos deixaram de viver suas rotinas habituais por um tempo, será preciso tempo e a adoção de estratégias para estabelecer limites para esta tensão e então retornar ao trabalho e à rotina de antes. Vale ressaltar que, para alguns, especialmente os mais velhos, a vida foi modificada e impactada de forma ainda mais significativa, o que pode levar a uma nova epidemia, agora de saúde mental. Não vai ser fácil, em especial para aqueles que se fecharam em seus lares por dois longos anos, retomar o mesmo convívio em sociedade que antes. Mesmo porque muitos deles perderam amigos e familiares durante a pandemia.
 
Estamos todos vivendo uma época histórica e muito angustiante, em que sempre nos lembraremos do medo que sentimos, mesmo depois que as coisas voltarem ao “novo normal”. Viveremos, a partir de agora, um novo momento de vida coletiva. Uma nova época de tentarmos buscar mais os valores internos, aproveitar mais o momento, incorporar práticas que possam melhorar nosso cotidiano, reestabelecer antigas amizades e estabelecer novos vínculos. É hora também de retomarmos os cuidados para com o nosso corpo. Buscarmos uma alimentação mais saudável, estabelecermos uma rotina de prática de atividades físicas e, principalmente, buscarmos atividades que nos propiciavam alegria e prazer. Os encontros de turma, as rodas de amigos, as de samba, as festas, os shows, os cinemas e, quem sabe, os grandes carnavais…
 
É hora de entender que, se não surgirem variantes agressivas, capazes de driblar o poder imunizante das vacinas, teremos que aprender a conviver com o vírus endêmico, vivendo entre nós e causando algumas centenas (ou milhares) de casos gripais de vez em quando. Especialmente, durante os meses de inverno… Se isto acontecer, o coronavírus vai se tornar de agressividade muito semelhante aos outros vírus respiratórios. Vez ou outra, alguns casos vão aparecer e nos incomodar. Alguns países europeus já entenderam assim. Muitas medidas restritivas foram retiradas. Aos poucos, até a necessidade de máscaras (pelo menos em locais abertos) está ficando para trás. Aos poucos, esta mentalidade coletiva menos estressada e menos ansiosa vai chegando por aqui. Aos poucos, a vida vai voltando ao normal e se tornando cada vez mais interessante.
 

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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