22/01/2022 às 08h00min - Atualizada em 22/01/2022 às 08h00min

Perguntas frequentes desta nova onda de covid-19

JOÃO LUCAS O'CONNELL
A Síndrome Gripal causada pelo novo coronavírus (já não tão novo assim) vem nos atormentando nas últimas duas semanas. Na verdade, o grande número de Síndromes Gripais diagnosticadas nas últimas semanas foi secundária não só ao vírus causador da COVID, como também por uma variante (H3N2) do vírus Influenza A (da gripe comum). Devido ao elevado número de casos, várias dúvidas surgiram ao longo das últimas semanas:

Até quando teremos grande número de casos novos de COVID surgindo por aqui? Durante as próximas semanas, o número de síndromes gripais na nossa região (e no Brasil) deve continuar ainda muito alto. Muito provavelmente, predominarão os casos de síndrome gripal secundárias ao vírus da COVID. Se o padrão de disseminação da variante Ômicron for a mesma que a observada em outros países, é provável que os casos comecem a diminuir em incidência a partir da segunda quinzena de Fevereiro e que ao final de Março o número de casos esteja em franca queda. 

A variante Ômicron pode causar internações e óbitos? Sim. A variante Ômicron também pode causar doença pulmonar e sistêmica graves e, inclusive, levar a óbito. Entretanto, é importante ressaltar que a probabilidade de má evolução durante a infecção pela variante Ômicron é bem menor do que a observada com variantes anteriores (como as variantes Manaus e Delta). Muitos continuam preocupados e ansiosos em relação à possibilidade real de adoecerem por COVID nas próximas semanas. Esta ansiedade é natural e devemos manter nosso respeito ao vírus pois ele realmente pode ser agressivo em vários casos. Entretanto, é muito importante entender que, para os pacientes que foram vacinados, especialmente para os adultos sem comorbidades, a chance de uma má evolução em caso de contaminação pela nova variante Ômicron é extremamente baixa. 

Tive sintomas de um resfriado leve. Pode ser COVID? Sim. Pode. A grande maioria dos indivíduos portadores de COVID pela variante Ômicron têm evoluído com sinais de resfriado ou de uma Síndrome Gripal comum leve, que têm durado menos que 5 dias. Assim, é comum o surgimento de febre (geralmente baixa), dor no corpo, dor de cabeça, dor de garganta, tosse, espirros, mal estar, perda de apetite, olfato, paladar, tontura e outras. É muito difícil, clinicamente, estabelecer qual é o agente causador da síndrome apenas pelos sinais e sintomas. Daí a importância de se fazer o teste diagnóstico para saber exatamente qual é o agente causador da síndrome gripal. 

Por que as vacinas não protegeram contra a variante Ômicron? A variante Ômicron apresenta variações genéticas adaptativas que lhe permitiram driblar o sistema imunológico que havia sido “ensinado a lidar contra o vírus” para uma grande parcela da população. Daí, tantos casos de Síndrome Gripal. Entretanto, é importante frisar que, pelo menos um terço dos vacinados têm sim uma produção de resposta celular e humoral específica e competente contra o novo coronavírus. Assim, vários vacinados que entrarem em contato com o vírus não vão desenvolver a doença COVID.

Se eu desenvolver sintomas gripais, quando eu devo procurar um médico para ser avaliado? Como já comentado acima, a grande maioria dos indivíduos infectados pela variante Ômicron vão desenvolver sintomas leves. Assim, devemos procurar enfrentá-lo da mesma maneira que enfrentamos outros quadros gripais ao longo da vida: permanecer em casa, isolado, em repouso, sono boa hidratação, sucos cítricos, alimentação saudável, chás caseiros, antitérmicos, antialérgicos e xaropes para controle da tosse, em geral. Entretanto, alguns sinais de alerta sugerem que o indivíduo deve procurar um atendimento médico para ser avaliado: febre alta (que não melhora com analgésicos); fraqueza extrema / fadiga; falta de ar, crises de tosse constantes, queda da saturação para menos de 92%. 

Não tem um tratamento específico para o COVID? Infelizmente, ainda não dispomos de medicações de fácil acesso que sejam altamente benéficas para uso na COVID. Algumas medicações antivirais e anticorpos monoclonais, se usados precocemente no enfrentamento da COVID, podem ajudar a amenizar os sintomas e garantir uma evolução satisfatória do caso. Entretanto, estas medicações não estão ainda disponíveis no Brasil. 

Durante as próximas edições, traremos mais respostas a dúvidas sobre a evolução dos pacientes com e pós COVID. 


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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