15/01/2022 às 08h00min - Atualizada em 15/01/2022 às 08h00min

Diferença entre resfriado, gripe, Síndrome Gripal e Flurona

JOÃO LUCAS O'CONNELL
As Síndromes Gripais causadas pelo novo coronavírus (COVID) e pela variante H3N2 do vírus Influenza vêm nos atormentando nas últimas semanas. Inúmeros termos novos e antigos relacionados às Síndromes Gripais foram sistematicamente reproduzidos em redes sociais e grandes mídias. Resfriado, gripe, Síndrome Gripal, Flurona... É tanto nome que fica difícil entender o que cada um deles quer dizer. 

Em Medicina, utilizamos termos diferentes para caracterizar a importância dos sintomas que o paciente está apresentando durante uma infecção de vias aéreas superiores. Assim, inúmeros vírus diferentes podem levar o indivíduo a apresentar febre, dor no corpo, dor de cabeça, dor de garganta, tosse, espirros, mal estar, perda de apetite, olfato, paladar e outras. A depender do tipo de vírus, de sua agressividade, e do sistema de defesa da pessoa, os indivíduos podem apresentar desde alterações discretas até mais importantes. Assim, quando o paciente apresenta sinais de infecção de via aérea superior mas não apresenta febre alta e nem comprometimento mais evidente do estado geral (dor no corpo, fraqueza), o quadro é denominado de resfriado. Os rinovírus são os maiores causadores dos resfriados. Os resfriados não costumam atrapalhar tanto a vida do indivíduo e costumam durar de 2 a 5 dias. 

Quando, além dos sintomas de resfriado, o paciente apresenta febre alta (maior que 38,5 graus), dor no corpo ou queda do estado geral (cansaço, fraqueza), o quadro passa a ser denominado de Síndrome Gripal. Vários vírus podem causar a Síndrome Gripal. Classicamente, o vírus que mais causa a síndrome gripal é o vírus Influenza. Por isso, classicamente, chamamos de gripe comum a síndrome gripal causada pelo vírus Influenza. Chamamos de COVID a infecção causada pelo novo coronavírus (SARS-COV2). Ambos podem complicar com quadros de pneumonia, inflamação sistêmica e óbito, especialmente em portadores de fatores de risco. 

Quando expostos aos vírus, ou às vacinas contra estes vírus, nosso organismo desenvolve anticorpos e memória celular que conseguem reconhecer uma nova tentativa de invasão do sistema respiratório e destruir estes vírus num eventual próximo contato. Assim, é mais difícil (não impossível) desenvolvermos um novo quadro gripal pelo mesmo vírus. O grande número de casos gripais vistos nas últimas semanas no Brasil aconteceu porque surgiram variações destes vírus que são capazes de driblar a defesa criada pelo nosso contato prévio com “seus primos” (as variantes anteriores) – independente de contato por doença prévia ou por vacina. 

Assim, o grande número de Síndromes Gripais diagnosticadas nas últimas semanas foi devido à chegada no Brasil de variantes que driblam a defesa criada pela infecção prévia ou pelas vacinas tanto contra a gripe comum quanto contra a COVID: a variante (H3N2) do vírus Influenza A (variante Darwin) e a variante Ômicron (do coronavírus). Em alguns indivíduos doentes, nas últimas semanas, houve a detecção laboratorial simultânea destes dois vírus durante uma infecção (H3N2 e COVID). Esta situação clínica de coinfecção foi chamada de Flurona. A coinfecção por dois diferentes vírus durante uma gripe não é uma situação rara. Mas os primeiros casos de coinfecção por estas duas variantes inéditas estão sendo descritas agora.

Durante as próximas semanas, o número de síndromes gripais na nossa região (e no Brasil) deve continuar subindo de maneira importante. Muito provavelmente, predominarão os casos de síndrome gripal por COVID. Muitos continuam muito preocupados e ansiosos em relação à possibilidade real de adoecerem por COVID nas próximas semanas. Esta ansiedade é natural e devemos sempre manter nosso respeito ao vírus. Entretanto, é muito importante entender que, para os pacientes que foram vacinados, especialmente para os adultos jovens vacinados e saudáveis, a chance de uma má evolução (pneumonia, inflamação sistêmica e óbito) em caso de contaminação pela nova variante Ômicron é extremamente baixa. 

A grande maioria dos indivíduos contaminados tem evoluído de maneira assintomática ou com sintomas de um resfriado. Parte deles evolui com uma Síndrome Gripal comum, que pode durar de 2 até 10 dias. É muito difícil estabelecer qual é o agente causador da síndrome apenas pelos sinais e sintomas. Daí a importância de se fazer o teste diagnóstico. Entretanto, está cada vez mais difícil achar um teste para poder realizá-lo. Assim, é importante ressaltar que, apesar de que os testes continuam muito importantes para um correto levantamento epidemiológico de caracterização do surto gripal, ele pouco ajuda na prática para a conduta individual. Independente de ser Síndrome Gripal por Influenza ou por COVID, a evolução e a conduta a ser adotada na primeira semana são muito semelhantes. Nas nossas redes sociais, disponibilizamos mais dicas sobre como enfrentar estas doenças respiratórias que têm nos afetado tanto ultimamente, sinais de alerta para possíveis complicações e outros cuidados. 


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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