23/10/2021 às 08h00min - Atualizada em 23/10/2021 às 08h00min

Exercício garantir um envelhecimento saudável

JOÃO LUCAS O'CONNEL
Foto: FreePik
Até pouco tempo atrás, acreditava-se que um paciente que apresentasse alto risco cardiovascular (como pacientes pós-infartados, pós-acidente vascular cerebral, portadores de insuficiência cardíaca, valvulopatas e outros) não devesse realizar exercícios físicos. A comunidade científica acreditava que, diante de uma doença cardíaca já estabelecida, o risco de um novo evento cardiovascular era diretamente proporcional ao grau de exercícios físicos do indivíduo.
 
Assim, era bastante comum a orientação de suspensão de qualquer tipo de exercício para o paciente cardiopata. O paciente infartado, por exemplo, era obrigado a permanecer acamado por algumas semanas após o evento. Entretanto, observou-se que os pacientes que se movimentavam mais rápido, evoluíam sem tantas complicações cardíacas, como outro infarto, mas com muito mais complicações outras como a embolia pulmonar, as pneumonias e as lesões de pele (escaras).
 
Hoje sabemos que praticar esportes é indicado para qualquer pessoa! E sabemos também que a atividade física é ainda mais importante para portadores de problemas cardíacos. Atualmente, são raríssimas as situações aonde contraindicamos a realização de qualquer tipo de exercício físico. E, na grande maioria das vezes em que sugerimos uma diminuição da atividade física, a orientação está relacionada apenas a esforços demasiados e extenuantes, sendo a atividade leve a moderada recomendada mesmo para pacientes mais doentes. Já é bastante conhecido que pacientes que não têm uma condição tão grave, o risco de um problema cardíaco agudo desencadeado pelo exercício é bem menor do que o de ter complicações crônicas decorrentes do sedentarismo.
 
Entretanto, não podemos deixar de lembrar que o risco da atividade física (especialmente daquela moderada à intensa) traz sim maior risco aos pacientes com problemas cardiovasculares já identificados. Assim, recomendamos que todos pacientes que desejam iniciar ou aumentar o nível de seu exercício habitual após os 40 anos de idade procurem um especialista e façam uma avaliação cardiológica antes deste incremento. Isto é ainda mais válido para aqueles pacientes que já têm cardiopatia, para aqueles que já tiveram algum tipo de evento cardiovascular ou arritmia manifesta e também para aqueles com histórico familiar positivo para problemas cardiovasculares.
 
Além de uma história clínica e um exame físico dirigido, que por si só já detectam a presença de algumas condições clínicas complexas e dignas de orientação para a suspensão do exercício extenuante, outros exames podem nos ajudar. Em geral, um eletrocardiograma, um teste ergométrico e um ecocardiograma trans-torácico são realizados antes da liberação do paciente para um programa de reabilitação cardiovascular ou para a liberação de atletas para o incremento em seu nível de treinamento físico semanal.
 
O objetivo principal da avaliação é o de verificar o condicionamento físico atual, analisar também o funcionamento do coração frente ao esforço físico e propor uma estratégia de incremento gradual na intensidade do exercício. Para a maioria dos atletas, a depender de sua performance nos testes, o exercício de alta intensidade já é liberado logo após esta avaliação inicial e quem vai conduzir o incremento é o próprio educador físico, após a liberação do médico cardiologista.
 
Atualmente, não há uma certeza sobre qual tipo de exercício seja mais benéfico para a promoção da longevidade saudável: se os aeróbicos ou os de contra-resistência (como a musculação). Há claros sinais de benefícios para uma boa proteção cardiovascular para ambos. Também há evidências de que, em exagero, ambos possam também trazer riscos, especialmente de curto prazo à saúde (como aumento de chance de infartos, arritmias, dissecções arteriais, desidratação, acidentes e lesões musculares).
 
Ainda não há evidências publicadas mas, muito provavelmente, intercalar atividades aeróbicas algumas vezes na semana e de fortalecimento muscular, outras vezes seja o ideal. Também há fortes indícios de que 150 minutos de atividade física intensa ou 250 minutos de atividade moderada traga mais benefícios do que menor tempo de exercício ou exercícios menos intensos. As caminhadas, a hidroginástica e pilates são bem indicadas (especialmente para os mais idosos). As corridas, tanto ao ar livre quanto na esteira.
 
A natação... Andar de bicicleta ou optar pelo exercício na bicicleta ergométrica é igualmente recomendado... Jogos coletivos com bola, aeróbicos intensos e mais longos, treinos intervalados e a musculação mais vigorosa podem ser experimentados para os mais jovens e os que já tenham uma boa base de preparo cardiovascular.
 
Exercite-se! Procure profissionais preparados para auxiliá-lo a entender até onde você pode ir e sobre como melhorar sua performance.
 

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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