16/10/2021 às 08h00min - Atualizada em 16/10/2021 às 08h00min

Obesidade na adolescência

JOÃO LUCAS O'CONNEL
A obesidade na adolescência é um grave problema de saúde pública e é definido como o acúmulo excessivo de gordura no organismo, estando ligado ao desenvolvimento de inúmeras desordens metabólicas e outras comorbidades. Trata-se de uma doença complexa e multifatorial que é influenciada por fatores fisiológicos, ambientais, socioeconômicos e genéticos. Nas últimas décadas, essa doença grave impactou um grande número de adolescentes como resultado de fatores de estilo de vida inadequados. 
 
Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a obesidade como uma epidemia mundial que também atinge crianças e adolescentes (além de adultos e idosos) tanto em países desenvolvidos, como em desenvolvimento. Segundo informações coletadas pela Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS), 21,6% dos adolescentes entre 15 e 19 anos estavam com déficit de peso na década passada.
 
A obesidade é considerada uma doença crônica e multifatorial, ou seja, possui diversas causas. Segundo estudos prévios, em 95% dos casos a obesidade tem forte influência de hábitos e do meio em que a pessoa vive, com destaque para hábitos alimentares, sedentarismo e fatores psicossociais. Os demais casos são divididos entre síndromes genéticas raras e causas endócrinas (transtornos hormonais) e secundárias a alguns medicamentos que podem predispor a ganhos de peso.  

O diagnóstico de obesidade é feito pelo cálculo do IMC (peso em kg/estatura em m²). Em adultos, consideramos obesos aqueles com IMC igual ou maior a 30 kg/m2. Em adolescentes, devemos usar tabelas comparativas para adolescentes da população geral. Via de regra, utiliza-se o percentil 85 para a definição de sobrepeso e 95 para obesidade. Ou seja, quando comparados a tabelas obtidas com a avaliação do peso dos adolescentes em estudos prévios, se o adolescente estiver com peso comparável aos 15% com mais peso, ele é considerado como portador de sobrepeso. Se ele estiver com peso semelhante aos 5% mais pesados para a sua idade, ele é considerado obeso. Outra avaliação considerada importante é o da circunferência abdominal (CA), que deve ser realizado por profissional da área de saúde. A avaliação laboratorial, a critério do médico, também pode levantar outras causas.
 
Assim como em adultos e idosos, na adolescência a obesidade também pode levar a uma série de desordens metabólicas, comorbidades e iniciar o processo de aterosclerose que, eventualmente, pode culminar em eventos graves como o infarto do miocárdio e o AVC que podem acontecer anos ou décadas depois de iniciado o processo. Dentre os transtornos mais comumente relacionados à obesidade, podemos lembrar da intolerância à glicose, Dislipidemias, Diabetes, Hipertensão Arterial, Esteatose Hepática, problemas ósseos, pedras na vesícula, imunidade diminuída e maior propensão à piora em infecções (virais, fúngicas e bacterianas), maior chance de desenvolvimento de problemas de pele (como acne e alergias) e outros. Por tudo isso, a obesidade é considerada um fator de risco para morte precoce em adolescentes e adultos jovens. Além de tudo, doenças mentais também podem advir, como depressão, distúrbios do sono, baixa auto estima e ansiedade.

A prevenção é a melhor maneira de controlar essa doença crônica potencialmente grave. As principais medidas são:
- A adoção de uma alimentação saudável, rica em fibras, carboidratos complexos, gorduras poli-insaturadas, carnes brancas, ovos e outras proteínas de alto valor biológico e pobre em gorduras animais, gorduras saturadas e hidrogenadas e também em carboidratos simples. 

- Aumento da prática de atividade física para, pelo menos, 150 minutos semanais de atividade física de alta intensidade ou 250 minutos de atividade de moderada intensidade.

-Além disso, a avaliação psicológica é importante no acompanhamento de adolescentes com grave obesidade, que muitas vezes apresentam sintomas de depressão e ansiedade. 

 
Assim, uma abordagem cognitivo-comportamental e multidisciplinar, envolvendo o adolescente, toda a família, amigos, psicólogos, nutricionistas, educadores físicos, médicos e enfermeiros, é fundamental para garantirmos o sucesso do tratamento que será fundamental para garantir uma vida futura mais saudável ao adolescente.
 
Quando essas mudanças de estilo de vida não obtêm os resultados esperados, podemos intensificar o tratamento adicionando medicamentos à prática de dieta e exercício.



Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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