16/10/2021 às 08h00min - Atualizada em 16/10/2021 às 08h00min

O que são Pólipos Intestinais?

TÚLIO MENDHES
Quem nunca sentiu desconforto abdominal como dores, importantes alterações no funcionamento do intestino, excreção de muco ou sangramento ao evacuar? Pois é! Se o brasileiro é especializado em algo, com certeza é ignorar sintomas importantes que tardiamente investigados desenvolvem sérias complicações, sem contar o hábito horroroso de se automedicar. Quando o tema é intestino, as pessoas sempre têm uma receitinha ensinada pela tia-avó do avô da bisa. Mas o assunto é sério, muito sério. Como especificado no tema vamos falar sobre pólipos intestinais, uma das condições mais comuns que afeta o intestino, ocorrendo em 15 a 20% da população.

Mas o que são esses tais pólipos? Bom, é uma alteração causada pelo crescimento anormal da mucosa do intestino grosso (cólon e reto). Eles se assemelham a um cogumelo, podendo aparecer em qualquer parte do intestino grosso. Inicialmente são benignos, podendo crescer até sofrerem transformação maligna. Por isso é muito importante a remoção dos pólipos, com a principal finalidade de prevenção contra o câncer. Esses pólipos surgem como mutações de algumas células da mucosa, modificando seu comportamento. O surgimento pode ser ao longo da vida. Contudo, estudos concluíram que a idade de maior risco para o surgimento dessas mutações se inicia após os 50 anos. Por outro lado, pode ser hereditário, o que ressalta a importância de se pesquisar a história familiar ao analisar o risco de ter a doença. Outros fatores de risco que demandam atenção para o surgimento desses pólipos são as condições inflamatórias do intestino, por exemplo, colite ulcerativa e doença de Crohn, a obesidade, o sedentarismo, o histórico familiar de pólipos colorretais ou câncer de cólon, o uso de tabaco e álcool, o descontrole da Diabetes tipo 2 etc.

Um fato é que na maioria das vezes esse surgimento não apresenta sintomas. A pesquisa de sangue oculto nas fezes pode ser útil mostrando a necessidade da realização de exames completos como a colonoscopia ou outros exames endoscópicos como a retossigmoidoscopia rígida e a retossigmoidoscopia flexível. A retossigmoidoscopia rígida permite a avaliação de aproximadamente 20 cm finais do intestino, enquanto a retossigmoidoscopia flexível permite o exame de 30 a 60 cm. A colonoscopia permite a avaliação de todo o intestino grosso. No exame radiológico chamado enema baritado é injetado um contraste por via retal que irá mostrar as paredes intestinais no exame de raios-X. 

Os pólipos encontrados nos exames devem ser totalmente removidos e enviados para análise do médico patologista. A maioria dos pólipos pode ser removida através da colonoscopia, que produz imagens de excelente qualidade e tem grande variedade de acessórios destinados à remoção, proporcionando ao especialista condições de compreender a evolução e qual instrumento deve ser usado de acordo com as características do pólipo. Contudo, dependendo da localização de alguns pólipos, a remoção é feita através de cirurgia. Obviamente que ao realizar a colonoscopia existe sim a possibilidade de complicações potencialmente graves como hemorragia ou perfuração intestinal, exigindo também e imediatamente tratamento cirúrgico. Apesar de existir sim a possibilidade de complicações, sua baixa incidência não deixa dúvidas a respeito do benefício de se propor a colonoscopia e a polipectomia como proposta eficaz na prevenção do câncer de intestino.

Mesmo após a remoção de tais pólipos, apesar de não ser comum, eles podem reaparecer, sim, isso pode acontecer. Também é comum o surgimento de novos pólipos em locais diferentes, o que ocorre em cerca de 30% dos pacientes. Por esse motivo, é prioritário o acompanhamento pós-remoção. Algumas situações particulares caracterizam risco elevado para o câncer de intestino, ou seja, a investigação através do exame de colonoscopia precisa ter um intervalo de tempo abreviado, objetivando uma proteção mais adequada em cada situação. Fica a dica, cuide-se. Até mais.


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