02/10/2021 às 08h00min - Atualizada em 02/10/2021 às 08h00min

Os pilares de uma vida saudável

JOÃO LUCAS O'CONNEL
Nas últimas 5 décadas, a ciência se desenvolveu de forma surpreendente. Na área da cardiologia, por exemplo, até a década de 1970, pouco se sabia em relação à fisiopatologia, prevenção, diagnóstico e tratamento das síndromes coronárias e cerebrovasculares (angina, infarto, AVC), as doenças que mais matam hoje no Brasil e no mundo... Neste tempo, inúmeros trabalhos científicos foram realizados no sentido de tentar entender quais eram os principais fatores de risco que faziam com que as pessoas adoecessem mais, não só de doenças cardiovasculares, como também de uma série de outras patologias que afetam a saúde, levando à perda de qualidade de vida individual e diminuição da expectativa de vida populacional. Hoje, 50 anos depois, já conhecemos inúmeros fatores que podem contribuir para  que a pessoa perca qualidade de vida não só pelo desenvolvimento de outras doenças, como a obesidade, o diabetes, a hipertensão arterial, as doenças gastrointestinais, renais, neurológicas mentais, dermatológicas (e outras), mas também pela perda de capacidade laboral, de locomoção e de raciocínio...
 
Durante estas décadas de estudos, se pôde observar que alguns aspectos relacionados aos hábitos de vida das pessoas estão intimamente relacionados a uma série de transtornos metabólicos que são comuns ao desenvolvimento de uma série de doenças e que o controle destes fatores pode mudar a história de vida médica do indivíduo. Assim, atualmente já conhecemos uma série de hábitos e condutas que podem ser tomadas pelo indivíduo em seu cotidiano que prometem não só garantir uma vida com menos doenças, mas também com mais saúde e mais qualidade de vida.
 
São vários os fatores e hábitos de vida que podem gerar mais saúde e menos doenças. De maneira didática e resumida, pelo conhecimento científico desenvolvido até aqui, sete medidas (ou pilares) são mais evidentes e deveriam ser perseguidas por todos nós: manter uma alimentação saudável e equilibrada; relações sociais e afetivas saudáveis; equilíbrio mental e emocional;  prática regular de atividade física de moderada a intensa; boa qualidade de sono; prática da espiritualidade, caridade e empatia; e manter-se longe de substâncias nocivas (como o tabagismo, excesso de álcool e outros hormônios e substâncias perigosas).
 
1. Uma alimentação saudável e equilibrada: os alimentos são a fonte de energia que precisamos para realizar nossas atividades diárias e abastecer a demanda nutricional exigida por nosso corpo. Manter uma alimentação com maior quantidade de fibras, verduras, legumes, frutas, peixes, castanhas, amêndoas e ovos parece ser o que mais protege o indivíduo de doenças. Por outro lado, uma dieta rica em açúcares simples, carboidratos, frituras, gorduras animais, gordura hidrogenada e embutidos é bastante prejudicial.
 
2. Relações sociais: sabe-se que os indivíduos que desenvolvem relações sociais de mais sucesso, criando mais vínculos afetivos e saudáveis com as pessoas com que se relacionam na família, no seu círculo de amizades e no trabalho tendem não só a viver mais felizes, mas com mais saúde emocional e física.  É muito forte, por exemplo, uma maior incidência de eventos cardiovasculares, gastrointestinais, dermatológicos e autoimunes com períodos de estresse e brigas na família ou no trabalho.

3. Equilíbrio mental: estar bem consigo mesmo, estar tranquilo e satisfeito com o rumo que sua vida tomou é fundamental para garantir uma mente sã. Indivíduos que controlam melhor sentimentos como ansiedade, raiva e ódio e que desenvolvem maior capacidade de meditação e autocontrole apresentam não só melhor saúde mental como também física, além de melhor capacidade de raciocínio. Também já foi comprovado uma nítida associação entre o estresse e a ansiedade com o aumento da incidência de doenças cardiovasculares, doenças mentais, gastrointestinais, autoimunes, problemas dermatológicos e de vários tipos de cânceres. 
 
4. Exercícios físicos: o hábito da prática de atividade física moderada a intensa de maneira regular garante não só uma melhor qualidade de vida, um peso adequado e uma boa capacidade física, como também diminui a chance do indivíduo desenvolver doenças mentais e físicas como o diabetes, a hipertensão arterial, o infarto, o AVC e vários tipos de cânceres.
 
5. Boa qualidade de sono: é um outro aspecto que atualmente é considerado como fundamental para uma boa saúde (e que não vinha sendo valorizado ao longo dos últimos tempos). Ter noites de sono repousantes é fundamental para a diminuição de proteínas inflamatórias produzidas pelo organismo e fundamental para o processo de renovação de células e tecidos de diferentes órgãos, em especial, dos neurônios.
 
6. Desenvolver a espiritualidade: indivíduos que desenvolvem sua espiritualidade, ou que cuidam do próximo (desenvolvendo caridade e empatia) acabam por se sentirem mais realizados, mais felizes e menos estressados. E, como já foi dito, uma boa saúde emocional é também muito importante para a manutenção da saúde física.
 
7. Manter-se longe de substâncias nocivas como o tabaco, poluição, excesso de hormônios e outras substâncias ilícitas e limitar o consumo de álcool também são importantes não só para a prevenção de doenças do coração, fígado e rins, como também de doenças mentais e mortes violentas.
 
Cuide-se! Desenvolva os 7 pilares de uma vida saudável e mantenha-se bem física e emocionalmente!
 
 

Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
Relacionadas »
Comentários »