11/09/2021 às 08h00min - Atualizada em 11/09/2021 às 08h00min

Já ouviu falar da Doença de Haff?

TÚLIO MENDHES
A doença de Haff ou Síndrome de Haff é vulgarmente conhecida como “doença da urina preta”. É uma síndrome infecciosa rara e que é caracterizada pela ruptura das células musculares, o que leva ao aparecimento de alguns sinais e sintomas como dor e rigidez muscular, dormência, falta de ar e urina preta, semelhante a café.

As causas da doença de Haff não são totalmente conhecidas, no entanto acredita-se que pode ser encontrada nos peixes de água doce, que causam pequenos surtos em pessoas que se alimentam destes peixes. Como a toxina não altera o sabor do alimento, não muda sua cor, e nem é destruída pelo processo normal de cozedura, é possível que as pessoas consumam esses peixes ou crustáceos sem mesmo saber se estão contaminados.

Segundo o Ministério da Saúde, a doença é encontrada em peixes como tambaqui, badejo, arabaiana e nos crustáceos como lagosta e camarão. Essa teoria foi publicada em muitos estudos, contudo, é necessária a fomentação de mais pesquisas sobre a doença. Sabe-se que é uma síndrome causada pelo que se imagina serem toxinas ingeridas por peixes. É uma toxina estável ao calor. Ou seja, não adianta ferver, fritar ou cozinhar o peixe contaminado.

É importante que essa doença seja identificada e tratada rapidamente, porque pode evoluir rapidamente e causar complicações para a pessoa, por exemplo, insuficiência renal e falência múltipla de órgãos. Os sintomas da Haff surgem entre 2 a 24 horas após o consumo de peixe ou crustáceos bem cozidos, mas contaminados, e relacionados com a destruição das células musculares.

Caso ingerido com a contaminação, a pessoa começa a ter sintomas algumas horas após a ingestão. Os principais sintomas clínicos são principalmente dores musculares de forte intensidade, como cãibras incapacitantes, que começam na região cervical e vão no sentido caudal: ombros, braços, até as pernas. Essa dor pode ser associada com enjoo e náusea.

Ainda não existe um protocolo para o tratamento da Síndrome de Haff, mas baseia-se na prevenção das complicações do paciente que deve ser encaminhado, preferencialmente, para a unidade de terapia intensiva, para que se dê um melhor acompanhamento do quadro e de sua evolução, por se tratar de uma doença de avanço rápido e por muitos fatores de risco desconhecidos. Deve-se começar a hidratação venosa por 48 a 72 horas, e concomitante acompanhamento das taxas de miólise, para evitar injúria renal, e eliminar a toxina ingerida. Aliado a isso, pode-se administrar bicarbonato de sódio para que se mantenha o ph urinário acima de 6,5 para que se dê nefroproteção. Durante a etapa aguda da doença, não se deve utilizar fármacos de excreção renal, como os AINES (anti-inflamatórios não esteroides), para que não piore a função renal.

Se não tratada logo, a doença de Haff pode evoluir rapidamente, causando insuficiência renal, provocada pela própria doença.  A doença de Haff é uma doença idiopática que causa miólise súbita, fazendo com que o paciente tenha algum dano renal, podendo levar à morte. O prognóstico de recuperação do paciente é muito bom. “A grande maioria dos pacientes evolui bem. Os sintomas melhoram a partir de 24 horas, e as dores desaparecem em até 72 horas. É uma doença autolimitada, com potencial mais raro de insuficiência renal e, excepcionalmente, a morte.

Novamente, enfatizo o pedido de especialista para que a doença de Haff seja mais estudada para que se entenda os mecanismos patológicos no corpo humano, para que, assim, se tenha uma terapêutica efetiva.
 
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