04/09/2021 às 08h00min - Atualizada em 04/09/2021 às 08h00min

Prevenção ao suicídio, promoção à vida

TÚLIO MENDHES
Assim como existe o outubro rosa conscientizando a prevenção do câncer de mama e o novembro azul conscientizando a prevenção de câncer e sobre as doenças masculinas, respectivamente o setembro amarelo foi criado para trazer à tona um assunto pouco discutido. O autoextermínio (suicídio).
 
A cada 45 minutos, um brasileiro tira a própria vida. Mundialmente, acontece um suicídio a cada 40 segundos. Apesar dos dados extremamente alarmantes, o suicídio continua sendo uma das principais causas de morte em todo o mundo, de acordo com as últimas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).
 
Ainda segundo a OMS, mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão. O Brasil lidera o ranking de casos na América Latina com 11,5 milhões de brasileiros depressivos. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a quarta causa de morte depois de acidentes no trânsito e violência interpessoal. Considerada o mal do século, a depressão é uma doença séria, muito séria mesmo... Infelizmente muitas vezes negligenciadas pelos próprios familiares, amigos, pelo RH da empresa, todos eles discriminam a depressão como frescura, preguiça, entre outros adjetivos nada agradáveis de ouvir.
 
Depressão é uma doença, tendo como principais sintomas a tristeza profunda e às vezes crônica, o pessimismo, a falta de ânimo e a diminuição da energia. Depressão precisa de tratamento, acompanhamento profissional, inclusive psiquiátrico em algumas situações. Depressão leva ao caminho do suicídio.
 
Nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas com educação, campanhas de prevenção e a quebra do tabu sejam por questões religiosas ou culturais.
 
Por isso é mais um motivo para que não podemos e não devemos ignorar algo tão sério. Cada vida perdida é uma imensurável tragédia. É papel de cada um de nós nos engajarmos pela valorização da vida e fazendo nossa parte por esta causa, com sensibilidade e compromisso. O tratamento da saúde mental é uma das bases mais significativas para a prevenção ao suicídio.
Lamentavelmente, embora alguns países tenham colocado a prevenção do suicídio no topo de suas agendas, absurdamente muitos não honram o compromisso e permanecem em total inércia sem um pingo de comprometimento. Pesquisando, descobri que o mundo tem 195 países, mas apenas 38 países são conhecidos por honrar o compromisso desenvolvendo estratégias nacionais de medidas objetivando a diminuição de casos do autoextermínio entre suas sociedades.
 
Caros leitores eu garanto sem nenhuma sombra de dúvida que, a pessoa que provoca o autoextermínio, não que morrer! O que ela deseja no fundo alma é colocar um ponto final na aflição, no tormento, infelicidade, na agonia, que golpeia a alma e sucumbem às forças, a energia...
 
Tristemente quando um amigo, familiar, colega de trabalho comete suicídio, geralmente para os conhecidos da vítima, frequentemente o que fica são dúvidas como: “Porque ele fez isso?”, “Ela estava tão feliz!”, “Como eu não percebi?” etc.
 
Agora eu pergunto. O que poderia ter sido feito para prevenir uma situação dessas?
 
A resposta é mais simples do que a pergunta. Conversar sobre depressão e ansiedade podem salvar vidas. Tirar um tempo mesmo que minutos apenas para ouvir e deixar a pessoa conduzir o assunto, deixar ela segura, a vontade, pra se sentir amada, pois alguém se importa. Parar e observar, fazer uma leitura corporal da pessoa, por exemplo, se antes prezava por andar arrumado, maquiada, bem vestido etc... de repente a pessoa parece não se importar consigo mesma, a postura corporal também fala muito sobre nós, as cores etc.
 
Se você questionasse uma pessoa que se autoexterminou e você questionasse os motivos que levaram a uma decisão tão trágica... acredito que ouviria:
 
– “Eu queria ser ouvido, ser aceito e encontrar meu lugar no mundo. E não tinha coragem de fazer isso”;  – “As minhas tentativas de suicídio foram gritos desesperados de uma alma que ansiava por ajuda”;  – “O meu desejo não era a morrer, na verdade eu nunca quis morrer, eu só queria colocar um fim no sofrimento. Eu estava tentando encontrar uma solução”;
 
Um milhão de vidas poderiam ser salvas com a abordagem e acolhimento adequado ainda nos primeiros sinais de alerta.
 
Nossa atenção à prevenção do suicídio é ainda mais importante agora, depois de muitos meses convivendo com a pandemia da Covid-19, com muitos dos fatores de risco para suicídio – perda de emprego, estresse financeiro e isolamento social – ainda muito presentes. Exatamente por isso devemos nos esforçar na prevenção da dor.
 
Lembre-se... a mente de um suicida não há futuro. É nosso papel mostrar o que a vida ainda pode oferecer. Em todas essas tentativas havia um traço em comum: eu queria conversar.

 Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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