22/05/2021 às 08h00min - Atualizada em 22/05/2021 às 08h00min

Trabalhe, sirva e não encha o saco

IARA BERNARDES
Foto: PEXELS

Uma vez ouvi um psiquiatra falar isso e desde então não parei mais de seguir o perfil dele, meio bronco às vezes, percebemos a teatralidade e truculência para falar diretamente o que muitos de nós insistimos em não entender, afinal, não é difícil encontrarmos pessoas ligadas no canal da preguiça e incompetência o dia inteiro, disfarçadas de profissionais competentes, intituladas por elas mesmas como os “super profissionais” do momento.
 

O servir, é visto na nossa sociedade como algo inferior, menor que o fazer por si e confesso que toda essa necessidade de “criatividade” em fazer algo novo e ser “dono de si”, tem causado em nós um grande estresse e ansiedade, além, é claro, da arrogância assoberbada, vista até mesmo na mais tenra idade: puro exemplo dos progenitores a ser seguido. Pois, não é raro o discurso de que Profissão “X” é melhor que “Y”; meu filho não pode ser isso, deve ser aquilo, enquanto deveríamos estar mais preocupados com o SER em sua essência e não apenas formação profissional e acadêmica. Afinal, quando educamos nossos filhos para serem PESSOAS, servir se torna leve e toma a proporção do que realmente importa: a mãe que serve à maternidade, cuidando dos seus; a esposa que serve ao matrimônio, zelando pela harmonia do lar e de seu esposo; o esposo servindo à sua esposa, protegendo-a e cumprindo com suas promessas; o pai, com sua paternidade e responsabilidade de cuidar da família e prover segurança; o médico, servindo com competência aos doentes que lhe chegam; o engenheiro, fazendo com cuidado e segurança seu trabalho; a faxineira, cuidando daquele lar que lhe confiaram; enfim, servir não tem absolutamente nada de ruim ou menor, é absolutamente uma dádiva podermos servir àqueles que nos pedem ajuda e nos são de responsabilidade.
 

Não encher o saco, aff, acho que nem preciso falar nada né?! Aliás, preciso sim. Jesus!!!! Tem gente que gosta mesmo é de aporrinhar a cabeça dos outros, tirar o colega de trabalho do sério, se intrometer na vida alheia, dar palpite na maternidade da outra mulher e torrar a paciência de quem está à sua volta. Nesse quesito, entra também os fofoqueiros de plantão, aqueles que insistem em nos bombardear com as desventuras de terceiros, ou destilar seu veneno invejoso acerca das conquistas daquela “zinha” que mora lá na esquina. Além disso, aqui se encaixam os reclamões de plantão, sempre prontos a acreditarem que alguém está ali para atacá-lo, como se sua vida fosse tão relevante que todos o querem derrubar e prejudicar. Por favor, minha gente, usem mais a imaginação: não coloquem “tom” numa mensagem escrita no WhatsApp, ou um corte que você levou na reunião on-line, parem de emburrar com qualquer coisa, achando que todo mundo deve acarinhar seu ego e acolher sua imaturidade. Por gentileza: cresçam e aprendam que tem coisa muito mais importante rolando na vida do outro do que prestar atenção em você, a ponto de dispensar tempo o querendo prejudicar. Uma joinha na mensagem de texto pode ser só: entendi o que quis dizer. Tenha santa paciência, pare de acreditar que tem mensagem oculta num emoji.
 

Além disso, ensine seus filhos a entenderem que o outro nem sempre vai se calar pra sua princesa falar e nem sempre isso significa que ela é muito educada, talvez lhe falte autonomia e disposição em pedir a palavra e se fazer ser ouvida. Necessário também explicar que o extremo contrário todavia não é prudente, afinal,  querer se colocar numa conversa por meio de gritos e xingamentos se impondo de maneira desrespeitosa aos demais, bem como utilizar de arrogância, não lhe fará bem.
 

Busquemos, por favor, o equilíbrio, por mais que em certos momentos percamos o bom senso, desejo e os aconselho que sejamos capazes de retomar o prumo e seguir com respeito e inteligência, por isso, trabalhe com empenho, sirva com fervo e não encha o saco com todas as suas forças.

* Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 
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