20/02/2021 às 08h00min - Atualizada em 20/02/2021 às 08h00min

​Pai tem quatro vezes mais risco de gerar filhos autistas

TÚLIO MENDHES
Você já questionou se o autismo tem haver com a genética dos pais? Pois bem, esse é um assunto que até hoje não foi totalmente esclarecido. É um consenso entre médicos e pesquisadores que a maioria das doenças e transtornos são baseadas em conjunções de fatores genéticos e ambientais.
 
Bom... a genética é uma área da ciência que estuda como as características são passadas de geração em geração. Bom... cientistas identificaram biomarcadores em espermatozoides humanos que podem indicar uma propensão a gerar filhos com transtorno do espectro do autismo. Além disso, uma área do cérebro onde ocorrem as falhas genéticas pode elevar o risco de surgimento desta disfunção, que pode ser causada por centenas ou até milhares de genes. Estas foram algumas das descobertas de três novos estudos americanos. Enfim...
 
Esses estudos associaram o risco do autismo no DNA que surge espontaneamente nos espermatozoides à medida que a células se desenvolvem, ou no embrião após a fertilização. Os cientistas acreditam que essas mutações podem estar envolvidas em de 10% e 30% dos casos e que quanto mais velho o pai está no momento da concepção, durante a fecundação do ovo e do esperma, uma mutação pode aparecer levando então adiante no ovo fertilizado e finalmente ao bebê.
 
Eventualmente, o teste genético pode dizer aos futuros pais se eles têm maior chance de ter um filho com autismo. Afinal a tecnologia de sequenciamento de DNA usada é basicamente a mesma usada para o sequenciamento de genoma inteiro. Essa descoberta pode levar a um teste que pode ajudar os pais de crianças com autismo a saberem a probabilidade de terem outro filho com o mesmo transtorno.
 
Enfatizo que o autismo não está ligado a apenas um único gene, mas seria o resultado de variações genéticas em múltiplos genes. Bom... algumas pesquisas de análise genética como estas são importantes para o entendimento global do autismo. Quanto maior o número de estudos sobre esse assunto, maiores as possibilidades de entender a fundo os mecanismos genéticos do Transtorno do Espectro Autista – TEA. Ao identificar os genes responsáveis e entender quais mudanças cerebrais eles causam ficará bem mais fácil saber a causa do autismo e, assim, será possível ajustar os tratamentos para que sejam cada vez mais eficazes.
 
Antes da revolução tecnológica do sequenciamento do DNA, as pesquisas atiravam no escuro tentando acertar os genes do autismo.
 
Todavia com incontáveis pesquisas, com a modernidade tecnológica e seus equipamentos cada vez mais capazes de calcular e fazer leituras mais precisas, hoje já é possível saber, como funciona o quadro genético e finalmente dispomos de ferramentas eficientes aptas a encontrar grandes quantidades desses muitos genes que contribuem para o autismo. Atualmente, mais ou menos 165 mutações genéticas estão ligadas ao autismo e a lista de genes implicados continua crescendo em ritmo acelerado.
 
Seria muito, muito, mas muito bom se toda essa linha de pesquisa pudesse tornar comum o sequenciamento genético profundo dos espermatozoides no processo do planejamento familiar. Pense que lindo, pois não só poderia ajudar os futuros pais a tomar decisões mais transparentes sobre o risco da probabilidade não apenas para o autismo, mas também outras condições que podem estar ligadas a mutações como esquizofrenia, epilepsia e doenças neurodegenerativas.

Concluindo... Os pais têm mais chance que as mães de transmitir aos filhos genes com alterações que poderão resultar no desenvolvimento de autismo, e, quanto mais velhos são, maior o risco. Além disso, a área do cérebro onde ocorrem as falhas genéticas pode elevar o risco de surgimento desta disfunção — que pode ser causada por centenas ou até milhares de genes. No entanto, agora é possível se ter uma boa noção do grande número de genes envolvidos no autismo. A estratégia, daqui pra frente, é identificar as redes em que eles interagem no cérebro, para, a partir destas informações os cientistas consigam desenvolver novos tratamentos.
 
Obrigado por acompanhar a coluna. Por hoje é isso. Até breve!



*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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