12/02/2021 às 19h58min - Atualizada em 12/02/2021 às 19h58min

​Fevereiro roxo: mês de conscientização do Alzheimer, Fibromialgia e Lupus

TÚLIO MENDHES
Já reparou que nos últimos anos, os meses vêm sendo associados a cores como símbolos de campanhas de conscientização sobre algumas doenças, patologias e comportamentos. Por exemplo... temos dois meses relacionados a uma doença muito grave, o câncer. Em outubro, a cor rosa tem como campanha a conscientização sobre o câncer de mama. Em novembro, informação sobre prevenção e tratamento do câncer de próstata é representada pela cor azul. Que a propósito, essas patologias quando são identificadas num estágio inicial, a abordagem de um tratamento eficaz é bem mais tranquila.

Pois bem... Compreendido o objetivo dessa associação de cores aos meses no decorrer do ano, é claro que fevereiro também recebeu uma campanha correlacionada a uma cor. A campanha é o “Fevereiro Roxo”. A campanha surgiu em 2014, aqui na nossa querida cidade de Uberlândia, marcando o segundo mês do ano para a conscientização sobre o Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer que tem como lema: “Se não tem cura, que haja conforto.

Aparentemente, elas não têm muito em comum, contudo, em duas coisas elas se assemelham: ambas ainda não têm cura conhecida pela medicina, e são, todas, tema da mesma campanha elaborada para trazer o máximo de informações possíveis com um único objetivo, conscientizar a população sobre prevenção e tratamento – mesmo sem cura. Embora sejam doenças diferentes, sua causa e o motivo por que se iniciam é inconclusivo, todas apresentam sintomas que debilitam o paciente em sua vida cotidiana.

Bom... apesar de ser doenças ser incuráveis, não significa que os pacientes não possam ter qualidade de vida. Fazendo jus a campanha, vamos entender individualmente um pouquinho da dinâmica dessas três doenças. Comecemos pelo Lupus. Considerada uma doença inflamatória autoimune, o lúpus ocorre quando o próprio sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do corpo por engano. Há dois tipos de Lupus. O primeiro tem como nome científico, “Lúpus Eritematoso Sistêmico” (LES) e pode afetar diversos órgãos e tecidos do corpo, como pele, articulações, rins e cérebro. Em casos mais graves, especialmente se não for tratado adequadamente, pode levar à morte. O segundo é a  Lúpus Discóide é uma versão um pouco mais branda da doença, que afeta somente a pele. Seu principal sintoma é o surgimento de uma lesão avermelhada no rosto, na nuca e no couro cabeludo.

O Lúpus ganhou mais visibilidade após duas artistas muito famosas, Selena Gomez e Lady Gaga, revelarem que sofrem com a doença. A Selena passou por um transplante de rim, enquanto, Lady é mostrada no documentário Gaga: “Five Foot Two”, sofrendo com intensas dores nas articulações em decorrência dessa condição. É uma combinação de fatores. Ou nasce com uma tendência para tê-la, ou a desenvolve em determinada época da vida, seja por fatores genéticos ou ativação do sistema imunológico. Mas quanto mais cedo a pessoa for diagnosticada mais se pode ter controle sobre seus sintomas. Estudos indicam que as doenças autoimunes podem acontecer devido a uma combinação de fatores hormonais, infecciosos, genéticos e ambientais. Pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e sexo, principalmente, entre 20 e 45 anos.
A Fibromialgia é uma síndrome ainda pouco conhecida, cujos principais sintomas são dor generalizada, fadiga, problemas de concentração, perda de memória, formigamento nas extremidades do corpo. Como todos os sinais são problemas relativamente comuns, acredita-se que a doença seja subnotificada. As dores da fibromialgia são constantes e costumam durar cerca de três meses a cada vez. Há um aumento da sensibilidade da dor. É como se a pessoa perdesse uma espécie de analgésico natural do organismo para não sentir dor o tempo todo. Como reduz a produção dessa substância, a pessoa sente dor espontânea, de vários tipos e espalhado pelo corpo. A maioria das pessoas que tem fibromialgia é composta por mulheres entre 30 e 60 anos de idade, mas também pode surgir mais cedo, inclusive na infância e na adolescência. Sabe-se que há fatores genéticos envolvidos, ou seja, quem tem um familiar com Fibromialgia é mais propenso a apresentar a doença.

Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo que afeta, principalmente, o sistema cognitivo e a memória. Com o aumento da longevidade, milhões de pessoas enfrentam os impactos gerados pela doença. Ela destrói as funções do cérebro e não tem cura. Possui as fases leve, moderada e grave. O comprometimento funcional é o que determina em qual delas o paciente está inserido. Na fase leve, geralmente quando a medicação é adotada, ele leva uma vida praticamente normal e o esquecimento não chega a ser empecilho para as atividades corriqueiras. Para prevenir o desenvolvimento do Alzheimer é necessário adotar hábitos de vida saudáveis, ao longo da vida, como o controle de doenças prévias hipertensão, diabetes, obesidade, o combate ao sedentarismo, com a prática de atividade física regular, evitar o tabagismo, e estimular a memória com leitura e realização de novas tarefas. Diante de suspeita da doença ou anormalidades relacionadas ao esquecimento, o paciente deve procurar uma unidade básica de saúde (UBS). A partir daí, se for o caso, ele será encaminhado ao especialista.

Concluindo, se você tem um familiar com suspeita de alguma dessas patologias ou com diagnóstico confirmado, o ideal é buscar ajuda especializada. Por hoje é isso. Tenho certeza que você nunca mais vai esquecer a campanha “Fevereiro Roxo” que representa a oportunidade de disseminar informações sobre a importância de controlar essas doenças.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 
 
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