13/02/2021 às 08h00min - Atualizada em 13/02/2021 às 08h00min

Dúvidas frequentes sobre as vacinas

JOÃO LUCAS O'CONNELL

A situação da pandemia da Covid 19 em nossa cidade e região tem sido dramática nas últimas semanas. Estamos vivendo o pico de disseminação da doença nesta segunda onda surpreendente de expansão de contaminados pelo novo coronavírus. Os números de novos casos e de internações bateram recordes diários nos últimos quinze dias, superando, inclusive, os piores dias de Julho e Agosto de 2020.

Em meio a tantas notícias negativas, o estresse social também aumentou. Inúmeras polêmicas ressurgiram no debate político, na imprensa e em redes sociais... Muitas dúvidas e questionamentos ressurgiram... Houve nova polarização, por exemplo, em relação à real necessidade da restrição à circulação de pessoas no comércio e, em especial, das crianças nas escolas... Mas, pelo bem da ciência e da sociedade, um assunto “despolarizou”: o benefício da vacina parece ter sido finalmente reconhecido por toda a comunidade médica, política e pelas comunidades virtuais... Poucos ainda questionam o impacto positivo da vacinação em massa para a tentativa de controle da pandemia.

Apesar disso, muitas dúvidas ainda persistem em relação à vacinação contra a Covid 19. Para a maioria das perguntas que surgiram, ainda não existe o certo ou o errado. A vacina ainda é nova e um tempo maior de acompanhamento dos vacinados é necessário para respostas mais certeiras. Mas, vamos tentar debater aqui, sumariamente, algumas destas perguntas, sugerindo o que parece ser mais correto em relação a elas:

1-Qual a vacina mais eficaz? Qual devo tomar? A Coronavac ou a da Astra Zeneca / Oxford? Resposta: tome aquela que for oferecida a você primeiro. Por enquanto, nas próximas semanas e meses, estas serão as únicas vacinas que serão disponibilizadas para a população brasileira. Elas têm princípios de ação um pouco diferentes. Apesar da eficácia de proteção contra a cepa atual ser maior na vacina da Astra, especula-se que a da Coronavac poderia conferir uma maior proteção futura contra as cepas mutantes do vírus.

2- Existem efeitos colaterais? Resposta: Sim. Podem ocorrer! Entretanto, a incidência é baixa. Milhares de pessoas já foram vacinadas no Brasil, tanto nos estudos clínicos, quanto agora, pelo programa nacional de imunizações. Inúmeras reações leves já foram descritas (dor no braço, febre, dor de cabeça, dor no corpo, alergia e outras). Entretanto, até aqui, não foram descritas reações vacinais graves, que tenham levado à necessidade de internação ou ao óbito.

3- Tomando a vacina, estarei, com certeza, imediatamente imune ao vírus? Resposta: Não! A certeza da imunidade não pode ser garantida! Nem imediatamente e nem tardiamente!

4- Mas, então, se não garante a imunidade, por que tomar a vacina? Resposta: A vacina garante uma redução, pela metade, na chance de você ficar gripado. Mas, espera-se que ela reduza para bem menos da metade, a chance dos sintomas te incomodarem ao ponto de você precisar ir ao médico. Ainda: a vacinação diminui drasticamente a chance de você precisar de uma UTI! Mas, atenção: diminuir drasticamente não significa eliminar. Mantenha os cuidados de higiene manual e respiratória!

5- Mas, se a vacina é tão boa assim, por que precisaremos usar máscaras e continuar lavando as mãos com frequência? Resposta: Porque, infelizmente, apesar de que após a vacinação você diminui muito a chance de desenvolver a doença, você ainda pode ser contaminado por ela. Deste modo, mesmo sem sintomas, você pode ter o vírus em suas narinas, garganta e mãos e, com isso, transmitir o vírus a outras pessoas. Por isso, os cuidados de isolamento continuam mandatórios, especialmente para a proteção dos idosos.

6- Idosos e gestantes podem tomar a vacina? Resposta: Sim! Devem! E, quanto mais comorbidades estes e outros pacientes tiverem, maior o potencial benefício da vacina.

7- A vacina altera nosso código genético? Pode dar efeito colateral a longo prazo? Resposta: Não! A Coronavac, por exemplo, é feita a partir de um vírus inativado (morto) que, provavelmente, não estará mais presente em seu organismo duas semanas após injetado. Não existe a possibilidade de interferência em seu DNA. Só vai desencadear uma produção de anticorpos seus contra o vírus.

8- Mas, se com a vacinação, o comércio, as escolas, os cinemas e estádios não vão voltar a funcionar, por que devo vacinar? Resposta: O que desencadeia as medidas de restrição à circulação da população é o caos na saúde, a lotação nos hospitais... Acredita-se que só tenhamos uma drástica diminuição do número de casos quando mais da metade da população tiver sido vacinada e as mutações virais pararem de acontecer. E isso tudo só vai ser possível se todos entenderem a necessidade da vacinação em massa da população.

Não seja teimoso! Mantenha as medidas de higiene e respiratória pelas próximas semanas e meses. Proteja os idosos e os pacientes com fatores de risco para evitar má evolução. Entenda que a vacinação em massa é a nossa maior esperança para que, um dia, as coisas possam começar a voltar ao normal. Se você tiver uma oportunidade de ser vacinado, não tenha dúvidas: vacine-se!


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 

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