30/01/2021 às 08h20min - Atualizada em 30/01/2021 às 08h20min

Fevereiro Roxo: se não tem cura, que haja conforto!

TÚLIO MENDHES
O mês de fevereiro traz a cor roxa, uma cor forte, para conscientizar as pessoas sobre o combate ao Mal de Alzheimer, Lúpus e a Fibromialgia. Três doenças de muita relevância e que são “silenciosas” em seus sintomas e progressão gradual. Embora sejam doenças diferentes, sua causa e o motivo por que se iniciam são inconclusivos, todas apresentam sintomas que debilitam o paciente em sua vida cotidiana e nenhuma delas têm cura. Entretanto, as estatísticas mostram que, quanto antes essas doenças forem detectadas, melhor a possibilidade de tratamentos. O lema da campanha é “se não tem cura, que haja conforto”. Entenda um pouquinho sobre cada uma delas...

O Mal de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que tem como principal característica a perda de memória progressiva. O paciente que é diagnosticado com essa doença vai perdendo, aos poucos, certas funções do cérebro, como aquelas que tratam de sua memória, de suas habilidades linguísticas, de sua habilidade de pensamento abstrato. De modo geral, a progressão da doença pode levar de 8 a 12 anos. Ela não é hereditária, mas alguns casos precoces podem passar de geração em geração, sendo necessário um acompanhamento mais ativo e enérgico. Os sintomas do Alzheimer são separados por estágios. No primeiro, de forma geral, os pacientes apresentam mudanças de humor, dificuldade para tomar decisões, comprometimento da memória, até mesmo para atividades que acabaram de acontecer, se perder em locais familiares, mudanças nas habilidades visuais e espaciais, dificuldade de aprendizado e alteração na personalidade. No segundo estágio do Alzheimer, o paciente repete constantemente as mesmas perguntas, não consegue mais morar sozinho, apresenta agitação constante, apresenta dificuldade de falar, demonstra agressividade, se perde até mesmo dentro de casa, tem dificuldades para realizar tarefas simples, apresenta problemas de coordenação motora e pode ter alucinações. No terceiro estágio, o paciente tem dificuldade para se alimentar e engolir, dificuldade para caminhar, podendo até mesmo usar cadeira de rodas, apresenta, ainda, comportamento inapropriado em público, incontinência urinária e fecal e não consegue entender o que acontece ao seu redor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o Mal de Alzheimer afeta cerca de 35,6 milhões de pessoas em todo o mundo, número que deve dobrar em 2030. No Brasil, o cálculo é de que 1,2 milhão já sofram os efeitos da neurodegeneração. O Alzheimer não tem cura e a medicação é indicada para auxiliar no conforto do paciente, adiando o surgimento de novos sintomas ou para amenizá-los.

Sobre lúpus. É uma doença inflamatória autoimune. O próprio sistema imunológico, por engano, ataca tecidos saudáveis do corpo e pode afetar diversos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro. Em casos mais graves, especialmente se não for tratado adequadamente, pode levar à morte. Pesquisas apontam que a prevalência do lúpus varia entre 1 a cada 2 mil pessoas e 1 a cada 10 mil. Levantamentos também indicam que 90% dos casos são em mulheres, principalmente naquelas com idade entre 15 e 45 anos. Isso porque é nessa faixa etária que os hormônios estão mais atuantes. E, nesse caso, o estrógeno chama a atenção. Alguns dos sintomas mais comuns incluem dor e inchaço das articulações, cansaço excessivo, febre, dor muscular e rigidez, sensibilidade à luz, manchas vermelhas na pele, especialmente no rosto e em outros locais que ficam expostos ao sol e queda de cabelo. Dependendo do caso, os sintomas do lúpus podem acabar sendo semelhantes a outros problemas mais comuns, como diabetes e artrite, e, por isso, é possível que o diagnóstico seja mais demorado, já que o médico precisa eliminar outras causas. Ah! Outra coisa, mulheres que ficam com disfunções importantes em órgãos como rim, coração ou pulmão não devem engravidar. A identificação do lúpus é baseada em manifestações clínicas e alterações notadas em testes laboratoriais, principalmente os de sangue. O tratamento do lúpus varia de acordo com os sintomas manifestados, sendo um tratamento individualizado, que pode ou não ser medicamentoso.

Já a Fibromialgia é uma doença reumatológica, que acomete por volta de 3% da população brasileira. De cada 10 pacientes com fibromialgia, entre sete e nove são mulheres, conforme dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. A principal característica é o aparecimento de uma dor muscular crônica e generalizada, acompanhada de sintomas como fadiga, alterações de sono, na memória e no humor. Ela ataca especificamente as articulações, causando dores por todo o corpo, principalmente nos músculos e tendões. Há um aumento da sensibilidade da dor. É como se a pessoa perdesse uma espécie de analgésico natural do organismo para não sentir dor o tempo todo. Como reduz a produção dessa substância, a pessoa sente dor espontânea, de vários tipos e espalhada pelo corpo. É importante ter sempre alguns cuidados para aliviar os sintomas, como passar protetor solar diariamente, fazer uma alimentação anti-inflamatória e ter hábitos de vida saudáveis. Além disso, é também recomendado que invista nos alimentos orgânicos e integrais e ingerir bastante água todos os dias. Além do tratamento médico, é importantíssimo um acompanhamento psicológico. Onde existe dor tem que poder existir acolhimento. Vale lembrar que terapias complementares são fortes aliadas no acompanhamento do tratamento psicológico tais como reik, massagem, auriculoterapia, constelação sistêmica familiar, dentre outras.

Concluindo, o Fevereiro Roxo tem como objetivo alertar sobre os sintomas destas doenças, estimulando a procura por auxílio médico desde as fases mais precoces, permitindo que o tratamento inicie o mais rápido possível, quando necessário.



Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 
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