16/01/2021 às 08h00min - Atualizada em 16/01/2021 às 08h00min

A segunda onda da Covid-19, infelizmente, chegou na nossa região!

JOÃO LUCAS O'CONNELL
O ano de 2021 não começou tão bem na área da saúde... Infelizmente, na nossa região, temos acompanhado um aumento significativo do número de novos casos de Covid-19. O número de novos casos diários vem se aproximando daqueles dos piores meses da pandemia em 2020. É certo que, atualmente, existem mais testes disponíveis do que há seis meses, o que aumenta o poder de detecção de novos casos. Mas o aumento significativo do número de internações e de óbitos pela Covid-19 não deixa dúvidas: estamos vivendo, neste momento, uma segunda onda da doença de disseminação também na nossa região!

Este aumento recente foi, muito provavelmente, causado pelo crescimento considerável de aglomerações de pessoas ocorridas no fim do ano. Novas variantes genéticas do vírus chegando por aqui também podem ter contribuído para este novo aumento do número da casos... Duas semanas após as compras e festividades do fim de ano, o número de casos de Covid subiu muito por aqui! A maioria dos hospitais públicos e privados estão muito sobrecarregados.

Infelizmente, algumas discussões políticas acabaram contribuindo para a difícil situação de crise sanitária que estamos atravessando esta semana. Muitos políticos, gestores e até colegas médicos ainda não aceitam (e acabam também dificultando o entendimento da população) que existe uma relação muito direta entre as medidas de isolamento social e a proteção contra o caos nos sistemas de saúde. Assim, a suspensão das medidas de restrição à circulação dos últimos meses acabou facilitando a nova disseminação agressiva da doença. A concentração de pessoas em shoppings, lojas, bares, restaurantes e festas em dezembro fez com que o número de novos casos disparasse nas últimas semanas. Pior que isso, como também aumentou o número de acidentes de trânsito, e como os hospitais não estavam parcialmente bloqueados aguardando a chegada da nova onda (como aconteceu no meio do ano passado), muitos de nossos hospitais públicos e privados viveram situações muito preocupantes decorrentes de superlotação na última semana. 

Apesar da necessidade do incentivo ao distanciamento social, sabemos que as medidas restritivas para evitar a disseminação da doença são diretamente proporcionais aos danos econômicos causados à sociedade e ao dano psicológico causado às pessoas. Quanto mais restrição à circulação, mais dano econômico, mais danos psicológicos... Em relação ao retorno das atividades presenciais em escolas e universidades, este custo psicológico e acadêmico é mais significativo e precisa ser muito bem contabilizado... Nossos estudantes vão completar um ano longe de suas escolas e universidades! Prolongar mais ainda este período seria muito ruim... Mas, como estamos vivendo uma situação alarmante em hospitais da região, e há uma expectativa de reinício de aulas em escolas e universidades para o mês de fevereiro, o debate precisa ser retomado! Será que é seguro? É viável? 

Sabemos que, infelizmente, mesmo que a vacinação se inicie em fevereiro (na melhor das hipóteses), o impacto real no controle da pandemia só se dará no meio do ano (discutiremos mais sobre isso na próxima coluna). Daí sim, quando mais da metade da população tiver tomado pelo menos uma dose da vacina, poderemos ter uma perspectiva muito mais favorável e positiva em relação à retomada progressiva da normalidade nas escolas e universidades. Mas é aceitável aguardar a retomada das aulas presenciais somente no segundo semestre do ano? Este é um bom debate que precisa ser travado dentro do Comitê de Combate à Covid-19 no nosso município.

Minha opinião pessoal é que não devemos aguardar para reiniciar as atividades escolares presenciais apenas no segundo semestre, mas que a retomada no início de fevereiro ainda é muito precoce... Provavelmente, teremos que adiar o reinício das atividades escolares presenciais em, pelo menos, mais um ou dois meses. Não para a segurança dos estudantes, mas para a segurança de seus familiares que, eventualmente, poderiam necessitar de leitos hospitalares, que podem não estar disponíveis, pelo menos, durante as próximas semanas... Na próxima coluna, falaremos sobre a eficácia das vacinas contra o coronavírus. Enquanto isso, evite aglomerações, reuniões com mais de 10 pessoas, ou com quem você não convive habitualmente.  Siga as medidas de higiene manual e respiratória exaustivamente discutidas por aqui e mantenha a esperança de um 2021 melhor!


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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