09/01/2021 às 08h00min - Atualizada em 09/01/2021 às 08h00min

O tempo

IARA BERNARDES

Hoje, quem quis escrever o texto da semana foi a Isadora, minha pequena, criativa, linda e carismática filha de 6 anos. Ela disse que quer escrever sobre a felicidade. Ao ouvir sua afirmação, perguntei o que ela falaria, e a resposta me emocionou: “Quero falar que hoje vou ajudar a mamãe a escrever a coluna e estou muito feliz com isso. É o amor!”

Sabe...eu não sou aquela mãe que senta todo dia com os meninos e brinca ou passa várias horas admirando o quanto eles são perfeitos. Além disso, me vi sendo a mãe que perde muito tempo em redes sociais, “vigiando” a vida alheia e as tendências de publicações, sempre com a desculpa de estar me atualizando em mídias digitais, com aquela justificativa boba que no fundo sabemos que é só matar o tempo mesmo, afinal, de que adianta estar acompanhando tanto conteúdo enquanto o conteúdo humano está sendo deixado de lado? Também percebi que perdia muito tempo em atividades não produtivas e que me roubava o tempo que poderia estar apenas AQUI.

Sendo assim, comecei a perguntar: como você investe seu tempo? Como é a qualidade do seu tempo com sua família, com seus amigos, seu cônjuge e com você? A tecnologia nos beneficia de infinitas maneiras: comunicação rápida, acesso a informações em qualquer área do conhecimento, nos aproxima das pessoas que moram longe, porém, também pode ser uma inimiga quando não sabemos fazer uso dela com sabedoria, pois o mesmo tempo que investimos estudando, nos conectando com quem está longe e nos informando, também podemos empregá-lo apenas espiando a vida alheia, fofocando sobre algo que não nos agrada ou nos desperta a inveja, e o que seriam 5 minutos em uma atualização da rede social se transformam em duas horas desperdiçadas, momentos que poderíamos, simplesmente, nos desconectar das telas e mergulharmos em olhos curiosos.

Por isso, elegi esse período de férias escolares, que se torna um momento propício para as pequenas atividades com as crianças, sem a cobrança de tarefas, atividades e aulas online, para tirar um tempo para colorir, arrumar aqueles brinquedos jogados, construir laços que não serão desfeitos e memórias que ficarão para sempre. Por aqui, tivemos muitos aplicativos deletados, atividades em redes sociais bloqueadas e muitos planos para que o tempo fosse gasto de maneira mais próxima da realidade e do que realmente importa. Não significa que você tenha que fazer o mesmo, mas reflita sobre o quanto o virtual tem lhe roubado do real, e se as telas não se tornaram mais importantes que os olhos dos seus filhos.

Saber que minha pequena quer fazer parte da minha rotina, do meu trabalho e desse mundo corrido me fez um alerta sobre a necessidade de olhar mais para o mundo deles, saber mais sobre o que eles gostam, foi como um convite que, já que eu não estou ali, ela poderia invadir o “meu espaço” para estar mais perto. Essa atitude, pequena, singela e gentil, me mostrou que o amor se constrói é no dia-a-dia, na rotina cotidiana e nas pequenas observações. Mas engana-se quem pensa que para isso é preciso se desligar de todo o mundo e se transformar em criança. Basta incluir os pequenos nesses momentos, ouvir quando se é solicitado e abraçar quando precisa ser acalentado e, sim, eventualmente, passar momentos apenas admirando e sorrindo para o milagre que é sua pequena obra de arte.


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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