05/09/2020 às 08h15min - Atualizada em 05/09/2020 às 08h15min

Psicanálise do Estilo – parte 2

IARA BERNARDES

Semana passada começamos a falar sobre a importância do autocuidado e descoberta do estilo para a praticidade do dia a dia, a elevação da autoconfiança e autoestima no processo de autoconhecimento das mulheres, além, é claro, dos impactos que isso acarreta à saúde mental e emocional feminina. Para tanto, conversei com a consultora de imagem Marianne Oliveira e como o assunto rendeu, resolvi dividir nosso bate-papo em duas partes. Sendo assim, segue a continuação do diálogo com essa profissional que é uma verdadeira psicanalista de estilo.
 
Qual a maior relevância no cuidado da imagem que você pode destacar?
Para responder a esta pergunta, precisamos entender que a imagem não é formada somente pela aparência, mas pela maneira com a qual nos comportamos e por nossa forma de comunicar. Quando estamos conversando com alguém, 55% do que as pessoas absorvem vem do visual (aparência e linguagem corporal); 38% do vocal (tom de voz e entonação); e 7% apenas do verbal (o que a gente fala, conteúdo). As palavras, a voz e a linguagem corporal devem ser consistentes umas com as outras durante a comunicação. Por isso, devemos cuidar como um todo da nossa imagem pessoal, e não somente de uma parte dela, como das roupas ou da nossa higiene pessoal, por exemplo. Aparência, comportamento e comunicação devem ser igualmente importantes e consistentes para evitar “ruídos” em nossa imagem pessoal. 
 
Sobre a consultoria de imagem, como ela pode auxiliar a encontrar nosso estilo e a valorizar nossos pontos altos?
Um Consultor de Imagem faz um estudo profundo sobre cada cliente, levando em consideração suas preocupações e objetivos para identificar o estilo atual e traçar uma estratégia de estilo que seja correspondente ao seu momento de vida. Vamos ilustrar com um exemplo: pode ser que eu tenha um estilo que transmite uma imagem mais despojada, mais feminina e casual, mas no meu ambiente de trabalho, sou líder e preciso comunicar uma imagem mais poderosa e moderna, por exemplo. A estratégia de estilo é elaborada para cada caso específico, e não levamos em conta somente um estilo, mas dois ou três, além da essência de cada pessoa. Além disso, também trabalhamos na valorização da aparência através de várias outras ferramentas que nos permite compreender o porquê não gostamos ou não ficamos bem em determinadas modelagens e cores, por exemplo.
 
A moda não se trata apenas da roupa que vestimos, mas também da atitude que temos diante dela?
A moda é uma ferramenta de comunicação da nossa imagem pessoal. Todas as pessoas se importam com o que vestem. A função da roupa deixou de ser simplesmente de abrigo e proteção do corpo. Se alguém diz que não se importa com moda, dê a ela um saco de linho para se vestir e veja sua reação. O que escolhemos vestir dá dicas pontuais de quem somos, o que gostamos e não gostamos, a que grupo pertencemos, em que época vivemos, em que lugar do mundo estamos, se estamos bem ou não. Por isso, esse cuidado nas escolhas do vestuário é fundamental para a imagem pessoal que projetamos no mundo.
 
Mudanças sutis ou radicais?
Qualquer mudança, por mais sutil que seja, é válida e notada, principalmente quando falamos em imagem pessoal. As mudanças sutis são muito mais sustentáveis, porque levam em consideração a nossa essência. É impossível sustentar por muito tempo uma imagem que não nos pertence essencialmente, pois não encontra embasamento em nosso ser. Se temos o objetivo de sermos uma pessoa muito diferente do que somos hoje, precisamos questionar o motivo desse desejo, entender o porquê este "eu real" está tão distante do "eu desejado", e o quanto esta construção do "eu real" é distorcida da própria realidade. Essa percepção distorcida pode gerar tamanha frustração a ponto de levar ao adoecimento psíquico e físico, podendo fazer com que a pessoa se isole dentro de si, sem querer interagir, cuidar-se, trabalhar, amar e viver. Muitas vezes, precisamos passar por processos terapêuticos junto à Consultoria de Imagem para auxiliar neste processo. Aceitar quem somos é o primeiro passo para entender nosso lugar no mundo, nosso estilo, trabalhar nossa autoestima, amor-próprio e nossa própria evolução.
 
Depois de todas essas informações, não conseguimos mais olhar a moda apenas como um acessório do cotidiano, pois, além do estilo das roupas, corte de cabelos, cor e formato das unhas, estar em conformidade com seu estilo é também uma forma de autocuidado, dado que este se relaciona entre vários aspectos  que promovem bem estar no cotidiano das mulheres e consequentemente no ambiente familiar. Dessa maneira, estar em sintonia com aquilo que te faz bem, serve de exemplo para os filhos que terão mais segurança quanto à sua autoimagem, afinal, quando estamos confiantes sobre nós, temos propriedade para falar sobre autoestima e amor próprio com os nossos filhos. É impossível falarmos para nossos rebentos sobre suas inseguranças quando nós mesmas não nos sentimos bem com nossa imagem.
Sendo assim, lance mão de parte do seu tempo para entrar nesse processo terapêutico da busca de seu estilo e de todos os cuidados que são necessários para que você esteja bem consigo. Inicialmente pode parecer que tomará muito tempo, no entanto, autoconhecimento é investimento, fazendo com que esse tempo inicial, usado para entender o que é necessário para a manutenção da sua autoestima e rotina fará com que muitos processos futuros sejam mais ágeis, permitindo-lhe estar mais disponível para as outras áreas da sua vida, sejam elas afetivas, pessoais ou profissionais.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 
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