28/08/2020 às 16h01min - Atualizada em 28/08/2020 às 16h01min

Traduzindo português

CELSO MACHADO
Escrever não é fácil. Bem mais difícil  é conseguir comunicar. Nem sempre a distância, a diferença entre o que queremos transmitir e a forma com que os outros interpretam o que falamos é curta.

Com frequência, recorro a uma metáfora para tentar explicar isso: a da necessidade que em muitas situações temos de traduzir, não idiomas estrangeiros, mas o nosso próprio.

É o que percebo atônito diante das decisões sobre o que está ou não liberado para funcionamento nesta pandemia do coronavírus.
Evidente que não posso fazer nada daquilo que as autoridades proibiram. Cumprir a lei é obrigação de todo cidadão correto.

Agora o fato, seja lá por qual fundamento for, de determinadas atividades serem autorizadas não me isenta da responsabilidade que tenho na condução e cuidados em relação a minha vida.

Não é porque os bares voltaram a funcionar que vou voltar a frequentá-los. Só farei isso a partir do momento que sentir total segurança de que não vou correr nenhum risco e nem colocando outros nisso.

Quando pratico um ato, seja lá qual for, as consequências dele não podem ser terceirizadas. Eu arcarei com elas.

Para mim, as autoridades começarem a afrouxar medidas de prevenção não me desvia dos cuidados e precaução que tenho tido desde o início desse fatídico vírus.

Não conduzo minha vida por normas nem decretos. Quero estar no comando direcionando onde vou, como vou e com quem vou.
Fico bobo quando vejo pessoas esclarecidas, que ao invés de olharem a quantidade de pessoas que estão sendo contaminadas e as que estão morrendo diariamente se manifestam com veemência por mais flexibilidade. Como se o fato do presidente, do governador, do prefeito, do presidente de uma instituição, ao estabelecer uma medida, estivesse decretando que a partir dela tudo voltaria ao normal.

Quem dera fosse assim. A realidade está aí e pra quem é consciente mais do que preocupar com o que vai abrir ou fechar é atentar para os riscos da nossa conduta.

Aqueles que não querem entender o que estamos passando e adotam atitudes insanas que sigam seus caminhos e arquem com as consequências. Pena que colocarão em risco a segurança de outros.

Tenho entendido o recado direitinho em bom e claro português, de que devo cuidar de mim e dos meus. Ficar longe para daqui um tempo voltar a ficar junto. Vivo e bem! Não é o que gostaria, mas é o que tem que ser feito!




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