15/05/2020 às 07h59min - Atualizada em 15/05/2020 às 07h59min

Mudanças

WILLIAM H. STUTZ
Hoje li em um site da Internet, os cor-de-rosa haviam voltado a Veneza e tomaram seus canais em um espetáculo deslumbrante.

Segui a notícia de que, anos sem por lá aparecer, perceberam que estariam seguros, pois as “gentes” estavam trancadas em casa em isolamento ou quarentena. Pode escolher o nome que mais lhe agradar. Senti uma alegria percorrer corpo e alma. A foto era deslumbrante. A Veneza de meus sonhos, com suas águas tomadas por tão maravilhosas e divinas aves. Parecia uma quimérica ideia. Bom, infelizmente era um devaneio. Minto, não exatamente, mas uma dessas malditas notícias falsas. Outra fake news do cão. Abrasileirando, “feiqueneus”. A pior parte é que fiquei tão feliz que compartilhei a mentira. Isto nunca foi de meu feitio. Tenho por norma conferir tudo o que repasso. Tem muita gente que nem lê e já repassa se achando o suprassumo da informação, a quinta-essência da sabedoria. Mais um tolo a navegar por bits desconhecidos e a se esborrachar em arrecifes das bobagens. Pois eu, que vinha tentando levar meu barquinho por (m)ares revoltos com tanta informação, dei com os burros n’água. Caí feito um patinho. Era uma montagem e, diga-se de passagem, muito mal feita. Pedi desculpas a todos que enviei a “notícia”. Mas uma centelha de esperança, a mesma matéria que desmente os rosas, nos diz contou que os cisnes brancos já se aninhavam perto da Veneza de Marco Polo e isso, conferido, era verdade.

Não querendo me justificar, o fato é que frente a tanta informação ruim sobre doença e morte, corpos empilhados em necrotérios ou em caminhões frigoríficos, hospitais lotados, falta de respiradores, enterros em valas comuns, dor e sofrimento, me deixei levar por um instante por falsa beleza que, mesmo sendo mentira, aliviou minha alma por alguns breves minutos. Afinal quem nunca sonhou?
Dedilhando cisnes pela web me deparei com um recanto belo, cujo próprio nome diz tudo. Feed do Bem (
www.feedobem.com). Recomendo-o mil vezes. Dele extrai parte de texto sobre a Morte do Cisne de Michel Fokine, especialmente criado para a exuberante e maravilhosa bailarina Anna Pavlova, para a qual todos os adjetivos do bem cabem aqui e a composição de Camille Saint-Saens:

“Uma das coisas que a Arte pode nos ensinar é que tudo tem sua beleza, inclusive a morte. Não de forma superficial, ou como frase de efeito, mas como entendimento de que a morte é uma etapa da Vida, é o fim de um ciclo para que um outro comece, e por isso é belo e natural. A morte do Cisne (The Dying Swan), ballet de 1905, coreografado por Mikhail Fokine, composição de Camille Saint-Saens, é uma linda metáfora para o fim da nossa existência, para o fim de todos os ciclos que passamos durante a vida. O solo de ballet protagonizado pela grande bailarina Anna Pavlova nos ensina que, a cada instante, devemos morrer, e deixar morrer aquilo que já não tem mais sentido dentro de nós, guardando a devida beleza de termos feito parte do grande espetáculo da Vida.(...)uma luta contra a morte, uma luta pela existência, uma luta que travamos pelo que vale a pena ser vivido. Por outro lado, a obra também nos ensina a aceitar as Leis da Vida, nos mostra que também precisamos aprender a morrer, a reconhecer o fim dos ciclos e a interpretá-los com beleza.”

Li também em revista científica de renome e não em folhetim de biotônico Fontoura ou em alguma seleções Reader's, isto mesmo aquela revista americana criada em 1922, especialista em nada ou em informações sem a menor importância, que o maior buraco da camada de ozônio estava totalmente fechado graças à expressiva diminuição da emissão de gases causadores do efeito estufa, em particular o uso de combustíveis fósseis.

Outra notícia boa, fotos de satélite mostraram a diminuição significativa da poluição nas grandes cidades. Em São Paulo, por exemplo, até se pode respirar de verdade. Contam que uma criança com sua mãe, da sacada de seu apartamento, na área central da capital paulista, perguntou espantado fazendo cara de nojo:

- Mãe, que cheiro esquisito é esse “meo”?

A mãe sorriu e passando carinhosamente a mão em sua cabeça lhe disse:

- Preocupa não filho é ar puro.
- Eca mãe, que coisa horrível, “ôrra meo”!

Fiquem atentos ao que leem no ciberespaço. Tem muita coisa boa que realmente enriquece, mas a predominância das maldades e mentiras prevalece. Lembrando:  Não é uma gripezinha, #usemáscara, se puder #fiqueemcasa. A vida é bela, mas os cisnes também morrem.



O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 
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